A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 14/05/2021

O livro 1984 escrito por George Orwell, retrata o processo de simplificação e apagamento da linguagem fictícia “velhidioma” pelo governo autoritário. Nesse sentido, ao realizar essa prática, o Estado despótico tinha como objetivo restringir a pluralidade cultural, com o fito de criar uma hegemonia favorável ao governo. Fora da ficcção, observa-se uma extinção em massa das línguas indígenas no Brasil, da mesma forma que o romance satírico, esse fato ameaça a integridade cultural do país. Assim, deve-se analisar os fatores que causam esse desaparecimento e a importância da preservação linguística desse grupo social. Portanto, é dever do Estado impedir que essa chaga social se perpetue.

Antes de tudo, é importante ressaltar que a oralidade e o contato com outras culturas são os principais catalisadores da problemática. Nesse aspecto, é válido destacar que o processo de extinção linguística iniciou-se em 1500, quando a esquadra de P. Alvarez Cabral adentrou o litoral brasileiro. Por conseguinte, ocorreu um intenso genocídio étnico e cultural das comunidades nativas, posteriormente. Além disso, a tradição oral dos ensinamentos indígenas contribui para a obliteração dos seus costumes. Porquanto, em casos de morte de algum membro da comunidade, sem relatos escritos, os conhecimentos não são repassados, como, a tribo Matsés, residente na região amazônica fronteiriça com o Brasil e Peru, em que o único curandeiro da aldeia morreu sem transmitir o seu conhecimento.

Por outro lado, torna-se imprescindível analisar não só os motivos, mas também a importância de evitar esse impasse. Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), na época colonial existiam cerca de 1,2 mil línguas indígenas, das quais apenas 279 sobreviveram ao processo de extinção. Desse modo, preservar os idiomas nativos remanescentes é garantir a manutenção da última herança puramente brasileira, antes da intervenção europeia. Nesse aspecto, faz-se relevante enfatizar o subterfúgio encontrado pela tribo Matsés para resolver o entrave supracitado. Nessa lógica, é notório salientar que esse grupo social criou uma enciclopédia, utilizando sua própria linguagem. Assim sendo, foi possível vencer a barreira imposta pela oralidade.

Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para reverter esse quadro. Logo, cabe à Fundação Nacional do Índio ( FUNAI), em parceria com a UNESCO, a criação do programa Línguas Indígenas Importam, cuja principal função será estimular a criação de dicionários e enciclopédias pelas tribos para preservação desse patrimônio. Para tanto, esses órgãos devem estabelecer parcerias com empresas privadas de tecnologia como, Lenovo e Telecom, para conseguir doações de computadores e levar internet para as aldeias. Destarte, o processo de escrita seria facilitado, atenuando o processo de extinção e impedindo que a sátira de George Orwell se concretize.