A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 13/05/2021
No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” o protagonista da trama, Policarpo Quaresma, patriota e ávido pela construção de uma sociedade baseada nas características tipicamente brasileiras, defende a inserção das línguas tupi-guaranis nas escolas do país. Nessa ótica, a obra reflete uma proteção às línguas nativas que, infelizmente, não é vista contemporaneamente, o que está, de certa forma, propiciando sua extinção no território nacional. Assim, deve-se elencar que raízes históricas e uma base educacional lacunar são fatores que contribuem para esse panorama que intercepta a totalidade das línguas nacionais.
Diante desse contexto, é imperioso ressaltar que o início da dominação portuguesa sobre o país tupiniquim foi marcada por um evidente desprezo do idioma da população nativa pelos colonizadores lusófonos. Isso, de acordo com historiadores, ocorreu sob um olhar etnocêntrico, em que as missões civilizatórias foram enviadas ao território recém-descoberto para que se pudesse assimilar a linguagem dos autóctones e, posteriormente, lhes fossem ensinado um novo idioma. Desse modo, buscava-se subjugar os nativos o que acarretou, drasticamente, a redução de suas línguas originais, tanto em expressão como em diversidade.
Outrossim, reverberam-se nas hodiernas instituições de ensino fragmentos do que outrora foi sinônimo de dominação. A esse respeito, verifica-se que nas escolas brasileiras quase não são abordados conteúdos das línguas que compõem a nação, exceto o idioma português e, quando discutidos, isso ocorre de forma distante e sem vínculo com a linguagem atual usada no Brasil, o que segrega e, consequentemente, limita o aprendizado dos estudantes em relação às línguas indígenas. Dessa forma, segundo o educador Rubem Alves, as escolas podem atuar como asas ou gaiolas, nesse caso, elas funcionam como gaiolas ao permitirem que os alunos permaneçam desprovidos de informações sobre a diversidade linguística do seu Estado Nacional.
Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve, com urgência, iniciar uma abordagem completa de conteúdos que contenham as línguas indígenas por meio de uma alteração no BNCC (Base Nacional Comum Curricular) a qual insira eventos no calendário escolar que contemplem simpósios e palestras, além da exibição de filmes e cartilhas que ensinem a língua indígena aos estudantes, a fim de manter a diversidade linguística dos nativos brasileiros e diminuir as seculares repressões impostas a elas. Logo, os objetivos preconizados por Policarpo Quaresma se farão mais próximos da realidade sociocultural do Brasil.