A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/05/2021
Na obra literária, “O guarani”, de José de Alencar, o autor retrata a imposição da cultura branca e do cristianismo sob os indígenas, narrando por meio dos personagens Peri e Ceci a origem da miscigenação da nação brasileira. Contudo, observa-se, na contemporaneidade, que essa colocação da “superioridade” branca pode ser atribuída ao término das variadas linguagens indígenas. Nesse sentido, surge a negligência do poder público, bem como a indústria cutural em volta desse impasse.
Deve-se pontuar, de início, a negligência do poder público acerca da extinção de línguas indígenas no Brasil, uma vez que o Estado não promove diplomacias adequadas e suficientes para estabelecer a dignidade dos povos nativos que resistiram ao longo dos anos. De acordo com a Constituição de 1988, “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. Por analogia, nota-se que o Estado tem sido violento ao omitir que essa lei seja promulgada com vigor, dado que a preservação de terras indígenas é crucial para entender o processo de desaparecimento das línguas nativas, pois, sem um território próprio, é quase impossível manter viva a cultura dessas comunidades.
Outrossim, é necessário enfatizar a contribuição da indústria cultural em torno da dissolução do dialeto nativo no país, haja vista que para ingressar no mercado de trabalho é preciso dominar o básico da língua oficial, sendo assim, percebe-se que a linguagem mesmo que seja composta de pluralidade, é comercializada para o lucro. No livro, “Macunaíma”, de Mario de Andrade, o autor produz na obra a reflexão do Brasil como uma unidade, fazendo com que as múltiplas características nacionais criassem uma identidade para a cultura brasileira. A partir desse ponto, repara-se que a unificação de custumes e a aproximação com uma comunidade não indígena leva ao deslocamento da cultura nativa e, consequentemente, ao desaparecimento da história de um povo e suas várias línguas.
Entende-se, portanto, que é preciso comentar que a estratificação política que visa o posicionamento na sociedade, remota o afastamento da cultura indígena. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério Público, por intermédio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público, para projetos que possuam a finalidade de valorizar a cultura e à língua indígena, como: campanhas de abrangência nacional, com intuito de assegurar a pluralidade dos falantes nativos. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações como: palestras e oficinas, a fim de promover proteção e a valorização dessas comunidades, viabilizando a riqueza que a etnia da linguagem proporciona ao Brasil.