A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 30/05/2021

De acordo com os dados da Unesco: 190 línguas indígenas, no Brasil, correm risco de extinção. Infelizmente, esse acontecimento, no país, expressa o descaso com essa civilização, já que ela ocorre devido à inexistência de uma disciplina, nas escolas, que ensine esses idiomas, como também, à escassez de ações governamentais que valorizem a diversidade cultural. Portanto, é indubitável que intervenções sejam feitas para solucionar esse impasse.

Cabe evidenciar, a princípio, que o desaparecimento de um idioma decorre, geralmente, da sua não perpetuação por seus falantes, tal como aconteceu com o latin, na medida em que o Império Romano se fragmentou, essa língua deixou de ser falada, e, consequentemente, desapareceu. Assim, uma medida para impedir que o mesmo aconteça com os povos indígenas, seria a inserção de uma matéria de línguas nativas na grade curricular do ensino básico. No entanto, essa não é uma realidade nas escolas brasileiras, que, em vez de preservar o seu patrimônio cultural, opta por ensinar somente idiomas estrangeiros, como o inglês e o espanhol.

Outrossim, é importante destacar que, segundo o intelectual Thomas Hobbes, “é dever do Estado garantir o bem-estar de todos”, entretanto, muitas vezes, isso não ocorre no país. Visto que a causa do desaparecimento das línguas indígenas é, também, decorrência da falta de investimento em políticas públicas que atuem na preservação dessas linguagens, tal qual demonstra o dado do G1: corte no orçamento da Funai (Fundação Nacional do Índio) pode inviabilzar ações de proteção da cultura índigena. Dessa forma, o enfraquecimento desse segmento dificulta a realização de atitudes que combatem a extinção das linguagens próprias dessa parcela social, por exemplo, campanhas de conscientização sobre a necessidade da conservação das línguas nativas.

Logo, cabe ao Poder Executivo promover a valorização do patrimônio histórico brasileiro, por meio do incremento de verbas que serão destinadas para a Funai. Ademais, o Ministério da Educação deverá estimular a preservação desses idiomas, através da implementação da matéria de línguas aborígenes na grade curricular do ensino básico, sendo que esta disciplina será ministrada por especialistas da área, que, além de ensinarem códigos dessa linguagem, precisarão incentivar a sua perpetuação. Espera-se, com essas medidas, o resguardo dos dialetos próprios dessa parcela da sociedade.