A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 14/09/2021

O dia 19 de abril marca a luta dos povos originários tradicionais pelo reconhecimento de sua cultura e representatividade social e política. Contudo, tal celebração mostra-se distante da realidade no tocante à extinção de línguas indígenas no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão de uma deficiência governamental, mas também da falta de relevância indígena em meio social. Desse modo, faz-se profícua a análise dessa conjuntura para conservação de parte da história brasileira.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar a escassez de políticas de tombamentos que asseguram a língua indígena como patrimônio cultural. Sob a perspectiva do filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato no cenário hodierno, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, mesmo a cultura sendo um direito, quase 90% dos idiomas nativos brasileiros foram extintos e os que restam estão ameaçados, ou seja, parte da história se torna esquecida. Destarte, fica evidente a ineficiência administrativa para a resolução da problemática.

Ademais, a evidente carência de importância social do índio corrobora para a manutenção da temática. Nesse sentido, no livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, Lima Barreto oferece motivo para pensar a realidade da linguagem e suas implicações no menosprezo do brasileiro frente à herança nacional. Assim, a partir dessa ausência de orgulho cultural, tradições são perdidas. À vista disso, é certa a retardação do combate à extinção dialética aborígene.

Portanto, infere-se a necessidade de mitigação dos entraves a fim do termino da extinção de línguas indígenas no Brasil. Assim, cabe ao governo, no papel de Secretária da Cultura, mediante a regulamentação do tombamento da lingua nativa, promover um plano federal que proteja e dissemine o ideal indígena. Cabe também, ao Ministério da Educação, a realização de palestras e diciplinas escolares que proporcionem  a conscientização da importância do legado aborígene. Essas ações têm como objetivo um dia do índio com mais motivos para celebrar.