A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 12/06/2021
O Brasil, enquanto colônia, possuia uma “língua geral” baseada no Tupi - de origem indígena - ao ponto de portugueses serem instruídos a aprenderem previamente a variante do Tupi para se comunicarem nessas terras americanas - à época chamada de Índias Ocidentais. Todavia, desde as reformas do Marquês de Pombal no século XVIII, a linguagem portuguesa se sobressaiu ao ponto de promover a extinção de idiomas locais - um longo e histórico processo de dominação aliado a uma desvalorização do saber nativo.
Nesse contexto, em primeira análise, a aculturação indígena esvanece sua sabedoria ancestral. Esse processo está cada vez mais acentuado em um período curto de tempo devido à “globalização perversa”, nos moldes do geógrafo Milton Santos - o brasileiro autor de “Por outra globalização” -, a qual a cultura de massas internacional esmaga o saber local em nome do consumismo. Assim, a pluralidade linguística dos nativos é substituída progressivamente pelo domínio internacional mercadológico, tornando, então, o país menos diverso e mais uma zona cativa de consumo.
Paralelamente, além dos danos atuais, o passado histórico privilegiou a cultura portuguesa. Por exemplo, a literatura feita em portugal é estudada como um canône para o Brasil durante o ensino básico, enquanto pouco se discute a produção dos povos originários e sua influência nacionalmente. Logo, esse fato representa um marco de dominação secular, ainda persistente, que marginaliza o saber e a relevância ameríndia - infelizmente, de maneira instucionalizada.
Portanto, é notório que esse processo de subjulgação histórico-cultural cataliza o desaparecimento de línguas indígenas. Sendo assim, é dever do Ministério da Educação reverter o quadro de extinção dos idiomas, a fim de salvaguardar a memória dos nativos e reconhecer sua importância para a construção da nacionalidade brasileira. Tal medida será realizada por intermédio da Base Nacional Comum Curricular, que estimulará a presença da história ameríndia e de sua cultura para os estudantes de ensino básico. Por fim, em especial, aos residentes próximos à aldeias, o ensino da língua indigena deverá ser obrigatório, para expandir a presença do idioma.