A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 20/06/2021
No livro “Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, retrata a trajetória de Policarpo Quaresma, um patriota exaltado que vê o país como um lugar maravilhoso. Essa visão esplêndida sobre o Brasil o guia no desígnio de uma possível reforma nacional, assim sendo, uma reforma na língua portuguesa, substituindo-a pela língua indigena tupi. Em certo ponto, Quaresma é tido como louco ao propor que a língua nacional fosse o tupi. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no livro pode ser relacionada àquela do século XXI, uma vez que, no Brasil há uma grande desvalorização das línguas e culturas indígenas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a desvalorização das línguas indígenas é algo que vem de muitos anos perdurando até os dias atuais. Vale lembrar que, em 1549 chegaram os primeiros jesuítas ao Brasil, tendo como princípio a cristianização dos nativos, combinando a catequese dos mesmos com sua mão de obra, sendo este ato a primeira causa de extinção de algumas línguas indígenas. Hoje, pouco se é feito para preservar a cultura indígina, visto que nas escolas por exemplo, insuficientemente se é falado sobre aqueles que habitavam em nosso país antes do descobrimento do mesmo. Consequentemente, parte da população, principalmente os mais novos, pouco sabem sobre a cultura e língua indigena, muitos não têm o conhecimento de que o portugues não é a única língua falada no Brasil. Além de gerar desconhecimento na população, os índios são fortemente afetados pela desvalorização de sua língua, indo contra, de certa forma, ao artigo 231 da Constituição Federal, o qual diz que, “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, (..) competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.
Portanto, medidas são necessárias para poder reverter este quadro. O Ministério da Cultura junto ao Ministério da Educação devem promover o conhecimento sobre essas línguas por meio de um projeto de inserção da língua indigena nas escolas. Nele, assim como os idiomas estrangeiros ensinados, sendo o inglês e o espanhol os mais comuns, a língua indígena seja ela tupi ou qualquer outra deve ser inserida na grade curricular das instituições de ensino. Espera-se com essa medida que, a extinção das línguas indígenas no Brasil seja freada.