A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 05/07/2021

Segundo a Unesco, as línguas indígenas brasileiras, de forma geral, estão em risco de extinção em um certo grau. Sob esse viés, percebe-se a dimensão da gravidade do problema da eliminação da língua dos povos ameríndios,  de forma a prejudicar a história e identidade de uma população que participa ativamente da cultura nacional. Nesse sentido, devido à insuficiência das ações estatais e à falta de conhecimento da sociedade, emerge um desafio coletivo.

Em primeiro plano, destaca-se que a falta de políticas públicas suficientemente efetivas facilita a desvalorização dos caracteres linguísticos indígenas, prolongando a problemática. A esse respeito, o filósofo John Locke defende que " as leis fizeram-se para os homens e não para as leis". Entretanto, observa-se que, muitas vezes, o Estado não tem cumprido o seu papel no que refere-se à manutenção e proteção da cultura dos nativos, a qual torna-se, por vezes, invisibilizada pelo poder público. Diante disso, seja pela ausência de ações estatais que estimulem a valorização do indígena na comunidade local, por exemplo, em palestras e debates públicos, seja pela grande resistência governamental perante as reivindicações dos nativos, que lutam pela não extinção de suas línguas,por vezes, visualizada com opressão, o cenário onipotente brasileiro contribuirá para a perca de uma rica cultura.

Além disso, a falta de informação sobre o que caracteriza a importância do indigena socialmente contorna o entrave. Nesse contexto, o filósofo Arthur Shopenhauer afirma que o campo de visão de uma pessoa determina o seu entendimento sobre o mundo. Nessa lógica, evidencia-se que a forma como a sociedade visualiza o nativo, geralmente pautada por estigmas e preconceitos, demonstra o quanto a população não entende ,amplamente, a contribuição do nativo para a identidade cultural da nação, de maneira a corroborar para o esquecimento de línguas ameríndias.Dessa maneira, essa  situação é identificada, ora pela escola que pouco discute com os alunos a importância do nativo, bem  como não busca estimular um raciocínio crítico nestes, ora pela mídia que não amplia a divulgação dos números de línguas nativas em extinção, além de pouco debater com os internautas a influência da lingua indígena na realidade social.

Portanto, torna-se necessária uma resolução para esse problema. Posto isso, cabe ao Ministério da Cultura formular áudios educativos- podcasts-que informem as línguas indígenas e o seu risco de extinção, por meio da veiculação desses áudios em programas de rádios municipais, a fim de ampliar o conhecimento da sociedade, além de influenciar uma mobilizacao social. Ademais, essa ação deve ser acompanhada da massiva participação das mídias comunicativas, em especial as redes sociais, por intermédio de sua divulgação. Assim, possivelmente, o Brasil irá valorizar a linguagem nativa.