A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 07/07/2021

No livro “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade marcada pela ausência de problemas, desavenças e conflitos. Entretanto, tal idealização não é vista no período contemporâneo, visto que o Brasil enfrenta inúmeros desafios, a exemplo da extinção de línguas indígenas, que constitui um obstáculo a ser superado. Este óbice ocorre, a saber, não apenas pela negligência governamental, mas também por conta da falta de atuação midiática.

Vale ressaltar, primeiramente, que a inobservância estatal fomenta a ocorrência do entrave. A esse respeito, é pertinente destacar o pensamento de José Maria Luis Mora, para quem um governo sábio reconhece as necessidades de desenvolvimento de seu povo. Nesse prisma, é evidente que o raciocínio do político espanhol não é observado no território nacional, uma vez que o Poder Público, por direcionar sua atenção para interesses políticos e econômicos, acaba menosprezando questões sociais, como a conservação do patrimônio linguístico dos povos indígenas, que corre risco de desaparecer. Isto mostra que a temática abordada merece um olhar mais voltado de enfrentamento.

Além disso, cabe salientar que o baixo empenho da imprensa contribui para a continuidade da problemática. Isso porque, como os meios de difusão da comunicação não se preocupam em exibir, com frequência, gráficos e tabelas acerca desse acontecimento ao longo dos anos, este assunto não é propagado. Todavia, conforme o escritor inglês Aldous Huxley, “os fatos não deixam de existir apenas por não serem disseminados”, ou seja, embora não seja difundida, a extinção de línguas nativas segue acontecendo na hodiernidade brasileira. Faz-se substancial, logo, a superação dessa conjuntura.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para mitigar, ainda mais, o desaparecimento das línguas indígenas no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, deve inserir a disciplina “Saberes Indígenas” no conteúdo programático escolar. Essa matéria pode ser lecionada por meio da apresentação de palavras ligadas ao conhecimento nativo, com o fito de consolidar nos estudantes a noção da pluralidade linguística presente no país. Outrossim, a mídia, juntamente com ONGs, precisa informar a população sobre os malefícios da não propagação do patrimônio indianista, através de campanhas educativas. Isso pode ocorrer por via da exibição de narrativas ficcionais engajadas, como novelas e seriados, além de reportagens que tratem do tema, a fim de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de conservação da língua indígena. Dessa maneira, reduzir-se-á a extinção da variedade idiomática dos índios na pós-modernidade brasílica e o ideal proposto na obra de More será alcançado no século XXI.