A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 08/07/2021
Gonçalves Dias, um dos principais autores do romance indianista, retrata, em suas obras, o índio como herói nacional digno de ser vangloriado. Fora da ficção literária, no entanto, a comunidade indígena sofre com a desvalorização cultural, sobretudo, no que diz respeito ao idioma usado. Dessa forma, é válido analisar como o risco de extinção das línguas indígenas é comunicado tanto pelo preconceito enraizado na sociedade quanto pela falta de representatividade social e cultural.
A princípio, destaca-se como impasse para a valorização das línguas tribais como raízes históricas brasileiras. Nesse contexto, a Colonização do Brasil pelos portugueses evidenciou o eurocentrismo dos colonizadores que, ao depararem-se com as tribos autóctones, notaram intensa ingenuidade e rusticidade, o que fez com que ultrapassassem e banalizassem os trajes dos nativos. Esse fato histórico refletido, negativamente, até os dias atuais, visto que a noção de superioridade europeia e de inferioridade indígena fez com que os hábitos e as formas sociocomunicativas desses últimos relativizados e a cultura brasileira fosse associada ao mundo europeu. Por isso, enquanto o preconceito vigente a mais de cinco séculos se perpetuar, os idiomas indígenas sofrerão riscos de serem extintos. Ademais, a falta de contato com a cultura múltipla e diversa da sociedade dificultam a afirmação de outros povos. Nesse viés, a poetisa Rupi Kaur afirma que a representatividade é vital. Ou seja, para que haja valorização, deve haver representação na sociedade. Isso se relaciona à negligência perante os costumes e hábitos tribais, por exemplo, nas escolas, que, muitas vezes, não exploram o Brasil como um país de tamanho continental e de imensa diversidade cultural, linguística e comunicativa, principalmente, no que diz respeito ao primeiro povo brasileiro - os indígenas. Sendo assim, a priorização de uma cultura excludente acarreta o esquecimento das demais e o risco de perda de tradições.
Fica evidente, portanto, a necessidade de impedir a extinção das línguas indígenas no território nacional. Logo, é dever do Ministério da Cultura, em parceria com as escolas e com a mídia engajada, criar projetos de valorização indígena, por intermédio tanto de aulas no ambiente educacional que exponham o ponto de vista dos colonizados e não só dos colonizadores quanto às palestras e “vive” em aplicativos, como o Instagram, que se apresenta a língua, os costumes, como danças, como músicas e toda forma de representação cultural dos índios. Tais ações têm um padrão de reverter um passado excludente e preconceituoso e de exportação como outras culturas também presentes no território pátrio. Somente assim, a população indígena estará mais perto de ser valorizada como era nos romances indianistas.