A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 22/07/2021

Na série televisiva “Anne com um e”, que se passa no século XIX, os índios eram vistos como animais e as crianças eram levadas a escolas católicas, onde eram obrigadas a abandonarem sua cultura e sua língua materna. Fora da ficção, a colonização do Brasil foi marcada por um choque de cultura entre os europeus e os indígenas que residiam no país, que foram reeducados por jesuítas a fim de aprenderem o catolicismo e o português. Desde então, o português se tornou a língua oficial brasileira e as línguas indígenas foram se extinguindo. Deve-se a isso o fato de que tais línguas não são ensinadas nas escolas e o preconceito em torno do assunto é muito recorrente, visto que há pouco ou nenhum contato da maioria dos brasileiros com a cultura desses povos.

Nesse sentido, o dia 19 de abril ficou conhecido como “Dia do Índio”, a fim de relembrar a cultura indígena. Entretanto, tal cultura é representada sob uma visão estereotipada da figura do índio, transformando-o em parte do folclore brasileiro e, no restante do ano, é visto apenas como um personagem da história e sua forma de viver e falar é cada vez mais esquecida. Segundo dados do Atlas Mundial das Línguas, cerca de 90% das línguas indígenas do Brasil foram extintas. Apesar de haverem diversas palavras derivadas dessas línguas misturadas ao português, a maioria das pessoas nunca teve contato direto com qualquer uma dessas línguas. Em suma, é notória a preocupação de Policarpo Quaresma, personagem patriota de Lima Barreto, em difundir a língua Tupi-Gurarani nas escolas e afins, a fim de perpetuar uma das vertentes da essência da cultura brasileira.

Outrossim, o preconceito no que tange a figura e a cultura do indígena difulta a difusão de suas línguas. Em “Anne with an E”, por exemplo, uma das personangens indígenas, Ka’kwet, e sua família, são muito mal vistos pela sociedade ao usarem suas línguas em público. Há uma cena na escola, inclusive, em que ela recebe um tapa em seu rosto de uma das freiras ao falar em sua língua. Na vida real, muitas pessoas ainda os veem como inferiores, animais, ou até “diabólicos”, por terem costumes diferentes e por sua conexão e devoção à natureza, o que faz com que muitos abandonem suas origens a fim de se encaixar. Indubitavelmente, esse fator contribui negativamente sobre a difusão de suas línguas, pois, como disse Einstein, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.

Nesse viés, urge ao Ministério da Educação, em parceria com a Funai, acrescentar o estudo de das línguas indígenas brasileiras nas escolas, inserindo um professor indígena, com 2 ou 3 aulas por semana, garantindo, assim, o contato e a perpetuação desses idiomas. Além disso, é importante difundir informações nas redes sociais e elaborar projetos conscientizantes para toda a população sobre tal cultura, a fim de que o preconceito sofrido por Ka’kwet permaneca apenas nas telas.