A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 04/08/2021
A obra “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, representa uma figura espantada diante de algo que lhe parece oferecer insegurança. Apesar de metafórico, é notório que, no Brasil hodierno, a reação do personagem pode ser aplicada ao presenciar a extinção das línguas indígenas, haja vista que há como efeito desse revés à erradicação de um enriquecedor legado histórico-cultural brasileiro, logo é assombroso que a sociedade não reconheça a seriedade de tal imbróglio. Sob essa óptica, é mister assentir que a escassez de ensino da linguagem indígena nas escolas, adjunto à morosidade do Estado perante o óbice correspondem aos principais fatores para cristalização dessa situação inescrupulosa.
Em primeira instância, urge ratificar que ao não abordar os modos de fala da população indígena no processo educacional brasileiro, essas línguas são excluídas e, consequentemente, condenadas a invisibilidade e extinção no meio social. Ademais, de acordo com a visão “Escola Moderna”, do filósofo norte-americano Jonh Dewey, a instituição escolar reproduzi uma comunidade em miniatura, um mundo simplificado e organizado, assim conduzido aos indivíduos a vivenciarem diferentes culturas. Todavia, é notório que essa concepção se mantém apenas na teoria, uma vez que na prática, o ensino brasileiro não promove esse processo de aproximação cultural, pois não concebe a disseminação de conhecimento sobre as distintas formas de comunicação dos índios, causando seu extermínio.
Em segunda análise, é fulcral anuir que o Governo por se mostrar omisso a situação, se configura como um agente responsável pela extinção das línguas indígenas no Brasil, uma vez que ao não se mobilizar contra esse cenário excruciante, se torna complacente a ele. Nesse contexto, é elementar reconhecer que a deterioração das distintas linguagens da população indígena vem ocorrendo desde o processo de urbanização, o qual possibilitou tanto o crescimento econômico quanto a aculturação dos índios, assim causando a perca de muitas formas de comunicação dessa étnia. Contudo, ciente dessa perca cultural, o poder público se manteve inerte, ignorando essa realidade abjeta. Logo, é possível reconhecer a necessidade de mudar a conjuntura contemporânea, em prol do bem-estar coletivo.
Dessarte, para evitar que a reação do personagem da obra “O Grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, representa o aflitivo cenário atual do estado brasileiro, far-se-á que o Governo, enquanto instância máxima da administração executiva e responsável pela harmonia coletiva, promova a preservação e disseminação das línguas indígenas, por meio de uma alteração na nota curricular das instituições de ensino, matérias que as valorizem e explorem, atuando para que não sejam excluídas e condenadas a invisibilidade. Desse modo, corroborando a paz social, além de garantir a valorização desse legado histórioco cultural, fazendo com que não seja esquecido.