A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 19/08/2021

No livro de Gilberto Freyre, “Casa Grande e Senzala”, o autor evidencia os indígenas como vítimas do processo de colonização do Brasil ao serem dizimados indiretamente por missões jesuítas. Embora escrita no século XX, a obra de Gilberto Freyre aclara os eventos históricos que têm por consequência impasses relacionados aos indígenas no Brasil da era moderna, como a extinção de sua língua. Tal crise dá-se, em sua maioria, em razão da ignorância acerca da cultura e importância indígena, bem como em função da inserção das populações nativas na sociedade brasileira de forma incauta.

De fato, o desconhecimento acerca dos povos nativos no Brasil é um fator de peso no que se refere ao descuido de seus direitos. Referente ao tema, Herbert Spencer, no século XIX, mentoreou o Darwinismo Social, que  sintetiza um modelo de hierarquia- pautado no sentimento de superioridade - entre as sociedades desde a inconstância de classes da Revolução Industrial. Com isso, evidencia-se o pensamento falho que permeia o ideário brasileiro ao referir-se aos povos indígenas, uma vez que estes são tratados pelas políticas públicas e pela sociedade com desatenção à medida que não se valoriza a sua cultura. Isto é, as línguas em risco de extinção são reflexos da desconsideração do indígena como alvo de atenção devido suas diferenças, o que é observado a partir da teoria de “superioridade” aparente sintetizada por Spencer.

Ainda, a negação dos direitos indígenas é perpetuada conforme se naturaliza a crise vivida pelo povo. Acerca disso, a Violência Simbólica, teoria de Pierre Bourdieu, importante nome francês na sociologia, caracteriza os hábitos que oprimem uma coletividade sem a consciência do agressor ou do agredido. Por esse meio, costumes vinculados a contextos históricos tornam efetivas sequelas de entraves anteriores, como o menosprezo dos índios na formação da sociedade brasileira, que, atualmente, reflete-se na desconsideração do direito à identidade dos nativos brasileiros. Dessa forma, normaliza-se a menção ao indígena como um indivíduo a ser “socializado”, cujo aspecto violento – segundo parâmetros da teoria de Bourdieu – envolve o desligamento de suas raízes, o que inclui a extinção de sua língua.

Infere-se, portanto, a necessidade de valorização e reconhecimento da cultura indígena. Para isso, urge à Funai - Fundação Nacional do Índio -, por meio do uso da mídia para disseminação do conhecimento acerca dos nativos, como documentários em rede televisiva aberta, a proteção à identidade desse povo; bem como impera ao Ministério da Educação a imposição do ensino da língua índigena como opção àqueles que frequentarem escolas em aldeias, de forma que perpetue a cultura indígenas nessas localidades, e, consequentemente, no Brasil.