A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 16/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, determina que todo ser humano tem direito a recursos sociais e culturais indispensáveis a sua dignidade e à expressão de sua personalidade. No entanto, não é possível verificar uma reação interventiva para a preservação das várias línguas indígenas no Brasil, as quais sofrem riscos de extinção. Nesse contexto, é imprescindível combater esse problema a partir e aspectos como: a falta de representatividade e a negligência governamental.

Em primeira análise, a lacuna representativa é um desafio presente nesse cenário. Para a escritora indiana Rupi Kaur, “a representatividade é vital”. Porém, há uma grande falha na representação das variadas línguas dos mais diversos povos indígenas do país, visto que, dada a ausência de representatividade na mídia - filmes, novelas, programas de TV - e no ensino escolar, elas são descredibilizadas. Isso perpetua a não valorização e a falta de reconhecimento da importância delas na cultura dos indígenas e na formação da nação brasileira. Logo, para criar um ambiente de respeito e preservação, é preciso que a expressão dessas línguas seja vista como vital.

Outrossim, a negligência governamental é outro fator obstaculizante que favorece a extinção das línguas indígenas. Assim, o filósofo John Locke concebe a importância da institucionalização da lei. Para ele, esse ato ratifica o empenho do Poder Público em assegurar os direitos da população, além de intervir nos problemas da vida prática, o que inclui a garantia da manifestação cultural indígena a partir da valorização de suas línguas. Dessa forma, a pouca ação para preservar essas riquezas culturais contribui para que a extinção seja uma realidade, o que acaba refletindo o descaso das autoridades na manutenção da dignidade desses povos e na transmissão de suas heranças linguísticas às gerações vindouras.

Portanto, é indispensável proteger as línguas de todos os povos indígenas do Brasil. O Estado, como mantenedor do bem-estar social, deve criar políticas públicas de conservação das línguas vivas e, também, de resgate daquelas já extintas. Isso pode ser realizado por meio de implementação do ensino de dialetos em todas as escolas das redes públicas e particulares e, claro, nas escolas dessas populações, a fim de combater a extinção. Nessa premissa, é importante que nas escolas desses povos, essa política pública respeite o tronco linguístico daquela determinada tribo, compreendendo material específico de ensino. Além disso, a mídia deve aumentar a representatividade,  pois serve de exemplo de como respeitar os aspectos culturais de um povo. Somente com esses aspectos poder-se-á criar um ambiente propício de valorização, prevenindo novas extinções.