A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 27/09/2021

O livro “Nietzsche e a grande política da linguagem”, escrito por Viviane Mosé, ressalta a importância da linguagem na construção dos valores morais de um grupo social. Em paralelo, a sociedade contemporânea enfrenta grandes dilemas a respeito da extinção de línguas indígenas no Brasil. Sendo assim, infere-se que essa problemática é decorrente da falta de infraestrutura do ensino das aldeias e do massacre da população nativa do Brasil. Logo, essa celeuma urge ser solucionada.

Em primeiro plano, é imperativo retornar às mazelas do sistema educacional das comunidades indígenas como um fator primordial. Então, as instituições de ensino são essenciais no aprendizado e na construção de relações interpessoais, e ainda, com base no postulado do intelectual, do século XX, Antonio Gramsi, a transformação social passa pela reformulação do processo educacional. Entretanto, as escolas indígenas carecem de recursos básicos para o ensino de seus alunos, e além disso, grande parte dos professores não possuem formação adequada. Por conseguinte, o conhecimento não é repassado de maneira adequado e as línguas nativas não são ensinadas aos jovens, indo contra a transformação proposta por Gramsi.

Outrossim, é válido pontuar que a morte em massa das populações indígenas implica no desaparecimento do dialeto dessas. Assim, na época da colonização, existiam cerca de 1300 dialetos sendo falados pelos nativos brasileiros e, no mesmo período, essa população era estimada em 3 milhões. Contudo, a redução no número de línguas acompanhou o decrescimento populacional, visto que, de acordo com o último senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atualmente, existem apenas 270 idiomas que são falados por cerca de 800 mil nativos sobreviventes. Portanto, a extinção da língua acompanha a extinção dos seus falantes, responsáveis por perpetuar essa fonte histórica brasileira.

Em síntese, medidas são necessárias para evitar a extinção das línguas indígenas no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria com o governo federal, deve investir na educação e proteção desses povos. Isso será feito por meio da destinação de materiais e recursos para as escolas das aldeias, que devem ser reformadas, e formação de professores qualificados, a fim de garantir o ensino dos dialetos aos novos alunos. Além disso, o governo federal deve realizar a demarcação de terras dessa população, com o fito de garantir maior segurança a todos. Dessa maneira, esse importante patrimônio cultural será protegido.