A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 09/10/2021
No romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, há um trecho onde Policarpo quer reformar a língua portuguesa e implantar a língua Tupi Guarani nas escolas, fazendo deste idioma oficial do país. Embora na história o personagem não obteve êxito, ele acaba abrindo uma discussão interessante sobre a falta da valorização desses dialetos e o impacto que a extinção da cultura indígena causa na nação, considerando toda a riqueza que estes possuem. Além de caracterizar o problema que o eurocentrismo causa frente aos ameríndios, deslegitimado todo um movimento.
Primeiramente, um estudo publicado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que as mais de 1500 línguas indígenas que haviam desde o “descobrimento” do Brasil foram erradicadas, visto que hoje restam cerca de 181. Ou seja, houve uma redução de mais de 90% dos dialetos e, consequentemente, junto com essa extinção em massa, ocorreu a perda de inúmeras culturas desses povos, considerando que a base de toda unidade cultural começa pela língua e é através dela que muitas características e revelações do passado são feitas. Destarte, um dos casos mais conhecidos é a etimologia da palavra Curitiba, durantes anos houve uma polêmica sobre seu significado, levando em conta que possui origem guarani. Deste modo, foi graças ao linguista indígena Aryon Rodrigues que a solução foi encontrada, demostrando que o nome da cidade se refere a “grande quantidade de pinheiros, pinheiral”, na linguagem dos primeiros habitantes do território.
Outrossim, um documentário apresentado pela TV Globo, intitulado “Falas da Terra” destacou a pluralidade das mais de trinta tribos e demostrou o porquê da importância de preservar esses povos num todo. Deste modo, apesar da cultura brasileira ter sido fortemente europeizada, é necessário que os cidadãos passem a valorizar aqueles que foram os primeiros povos desse território e não tratar com desprezo como acontece muitas vezes. Enfim, alguns habitantes preferem e dão valor somente aquilo que é estrangeiro e esquecem-se de valorizar a cultura da própria nação. Desta forma, a língua indígena tem muito a ensinar aos brasileiros, algumas questões naturais, por exemplo, poderiam ser evitadas se as origens das palavras fossem estudadas com mais afinco.
Por fim, valorizar o que tem de mais belo na nação é fundamental e as línguas indígenas fazem parte deste critério. Por isso, cabe ao Ministério da Educação a implantação, nas escolas municipais e estaduais, de um projeto extra curricular sobre os povos aborígenes. Como também, a distribuição de livros de histórias infantis escritos nas principais línguas ameríndias, interpretação de cantigas e a construção de artefatos desse povo, deste modo, muitas crianças terão contato com esse assunto e contribuirão para estes costumes serem preservados e não erradicados como vem ocorrendo.