A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 01/11/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU, assegura a todos o direito à cultura e ao bem-estar social. Conquanto, a extinção de línguas indígenas no Brasil constitui-se como um grave empecilho para a manutenção da diversidade cultural do país e da ordem social. Por isso, é fundamental destacar eventos históricos que promoveram o início desse problema e a fata de atuação dos centros educacionais no combate à extinção das línguas indígenas.

Em primeira análise, é imperativo pontuar fatores históricos que desencadearam a formação de preconceitos contra os povos autóctones e suas línguas. Sob esse viés, o processo de colonização da América pelos portugueses, ocorrido durante o século XV, oprimiu violentamente a cultura indígena e extinguiu gradativamente várias línguas desses povos devido ao sentimento de superioridade eurocêntrico, o qual considerou esses indivíduos como inferiores. Nesse contexto, pode-se afirmar que essa estrutura social arcaica e inadequada ainda está presente no Brasil, uma vez que a situação envolvendo o desaparecimento de línguas indígenas ainda é constante e bastante conflituoso, ocorrendo por causa da manutenção dessa visão excludente e preconceituosa acerca desses povos. Esses aspectos demonstram uma sociedade retrógrada e que não preserva a sua diversidade cultural.

Em segunda análise, é válido ressaltar a falta de envolvimento das instituições de ensino no processo de combate à extinção de línguas indígenas. Sob esse prisma, Nelson Mandela, ex-líder político da África do Sul, afirmava que a educação é a arma mais poderosa capaz de mudar o mundo. Contudo, essa assertiva está longe de se tornar uma realidade no país, uma vez que as escolas não desenvolvem projetos educacionais de resgate e de preservação das línguas indígenas no contexto brasileiro, além de não mostrar a importância dessa herança cultural para a composição das variações culturais existentes. Isso ocorre, principalmente, pela ausência de pautas educacionais no âmbito acadêmico com o objetivo de reverter esse quadro.

Entende-se, portanto, que a extinção de línguas indígenas é um grave problema da sociedade brasileira. Dessa forma, o Governo Federal, através do Ministério da Educação, órgão superior e responsável pelas transformações educacionais, deve criar um amplo projeto social de combate à extinção dos idiomas dos povos autóctones, por meio da criação de uma disciplina na grade curricular que mostre para os jovens a diversidade linguística do país e a necessidade de preservá-la, além de promover aulas com participação dos próprios indígenas para que eles apresentem a sua luta e sintam-se representados, a fim de quebrar paradigmas e de promover o progresso da nação. Dessa maneira, tais medidas visam tornar o problema uma mazela passada da história.