A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Conhecida como `` Cidadã´´, por ter sido concebida durante o processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos dos brasileiros. Todavia, o diante do cenário exposto pela extinção das línguas indígenas no Brasil, nota-se que os ideais presentes na Carta Magna não estão sendo realmente aplicados. Nessa lógica, cabe expor a falta de debate aliada à falta de empatia como protagonistas dessa vicissitude.

Cabe ressaltar, primeiramente, a escassez de diálogo como um dos promotores do impasse. Nesse viés, de acordo com o sociólogo alemão Jürgen Habermas, a razão comunicativa constitui uma etapa fundamental no desenvolvimento social. Nesse sentido, a falta de comunicação a respeito da extinção do repertório linguístico dos nativos faz com que haja ainda mais a perpetuação do problema, haja vista que a população, além de não ter ciência sobre o assunto, não recebe instruções para solucioná-lo.

Ademais, outro ponto relevante é a falta de empatia no Brasil. Sob tal ótica, a obra literária de José Saramago `` Ensaio sobre a Cegueira´´ discute a cerca de uma sociedade moralmente cega, egoísta e alheia aos problemas sociais. Hodiernamente, os governantes brasileiros refletem os cidadãos da obra na medida em que, apesar de conhecerem o problema em questão, rompem com a garantia constitucional, não conscientizando a população e ignorando o causa dos indígenas. Portanto, a ocorrência desse óbice configura uma enorme falta de respeito com a cultura nacional.

Em suma, com o intuito de conscientizar o povo a respeito do impasse e favorecer a manutenção da cultura dos indígenas, cabe ao poder público - mantenedor das leis, do bem-estar social e do progresso civilizatório - desenvolver, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos veículos de informação e projetos escolares que ensinem ao povo a importância de se preservar a cultura nativa, principalmente a língua. Dessarte, almejar-se-ia um País mais justo, igualitário e rico culturalmente.