A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 06/11/2021
Em 1500, a chegada dos portugueses ao Brasil marcou o início da história do país. Todavia, ao considerar esse o começo, menospreza-se toda a trajetória dos povos indígenas que já viviam no território. Não distante da colonização, a cultura dos povos nativos brasileiros é, ainda, subvertida à europeia nos tempos modernos. Sob esse prisma, essa desvalorização causa graves perdas nas culturas desses indivíduos, por exemplo a extinção das línguas indígenas. Isso ocorre devido à deficiência estatal em conservá-las e à falta de conscientização popular acerca da sua importância. Desse modo, tal conjuntura é incabível e merece um olhar mais crítico a fim de sua dissolução.
Em primeira instância, cabe abordar a ineficiência pública na promoção de ações que visem valorizar as línguas nativas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o terceiro país que menos investe em resguardar os idiomas indígenas. Em outras palavras, o país verde-amarelo é um dos ranqueados mundialmente em não conservar seu valioso aglomerado linguístico, em resultado direto à isso, todas as línguas indígenas, ainda restantes no país, estão a caminho da extinção. Logo, a falta de empreendimentos em cuidar das línguas-maternas do território brasileiro é fator motor da extinção em massa desses bens.
Ademais, vale salientar que a falta de conscientização popular sobre os indígenas e suas culturas intensifica o processo de extinção na qual estão inseridos as línguas indígenas. Em conformidade com o pensamento do filósofo Wittgenstein, “os limites do meu conhecimento são os limites do meu mundo”. Em outras palavras, o déficit nacional de ensinar em escolar e divulgar a cultura indígena nas redes de grande alcance dificulta que cresça no país a consciência de respeito e de pertencimento que promove o cuidado e a conservação das línguas indígenas. Assim, é imperioso disseminar no Brasil a história, os costumes e as línguas dos diferentes povos, que antecederam os brasileiros para possibilitar que o conhecimento gere o cuidado.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar a extinção das línguas indígenas no Brasil. Para tanto, urge que o Ministério da Educação insira nas escolas a disciplina de “Cultura Indígena”, que vise abordar tópicos como costumes cotidianos, crenças e linguagens faladas dentro das diferentes tribos no Brasil, por meio de aulas e oficinas de elaboração de utensílios típicos, distribuição de dicionários nativos, apresentação de peças teatrais e palestras com índios e descendentes indígenas para que as crianças e jovens brasileiros desenvolvam a conscientização da importância da diversidade e, por conseguinte, a conservem. Só assim, o índio e suas línguas serão devidamente cuidados, respeitados e resguardados pelo Brasil e pelo brasileiro.