A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 10/11/2021
No filme Duna, é retratada a invasão e a dominação de regiões já habitadas. No entanto, esse fato não existe apenas na ficção, ele pode ser comparado ao “descobrimento” do Brasil, período de aculturação imposta pelos invasores, sobre muitos povos indígenas que já ocupavam o território. Dessa maneira, a cultura dos povos matrizes existente, foi tornando-se extinta, em especial os dialetos de várias comunidades indígenas. Diante disso, pode-se compreender que, mesmo o Brasil tendo as “línguas mães”, hoje o idioma oficial é o português, o que leva ao pensamento de que a línguagem dos indígenas não tem importância. Dessa forma, a falta de conhecimento da sociedade brasileira e a dificuldade de manter esses idiomas presentes, torna-se um empecilho na preservação da raiz cultural do Brasil.
Em primeira análise, segundo dados da USP, existem cerca de 450 mil indígenas brasileiros, entretanto essas pessoas não recebem o devido amparo para manter e expressar as suas culturas, isto pode ser visto com a falta de “espelhos” dentro do corpo social, levando à exclusão desses sujeitos. Desse modo, a língua indígena é um dos instrumentos de cultura que está sendo perdido ao passar dos anos, pois, além da falta de incentivo para manter esses dialetos, existe a discriminação e o preconceito, diminuindo ainda mais o número atual, com 154 línguas indígenas, dado da USP. Afirmando assim a citação de Denis Diderot " A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito".
Ademais, compreende-se que mesmo os idiomas indígenas possuindo uma grande importância cultural e histórica, eles sofrem dificuldades para se manterem, além de não serem incentivados para que o restante da sociedade, não indígena, possa conhecer e respeitar os dialetos, fazendo com que eles não sejam extintos. Diante disso, a falta de estímulo dos governantes se torna mais uma barreira, como exemplo, atualmente em várias escolas a aplicação de disciplinas de línguas estrangeiras é obrigatórias, enquanto o conhecimento sobre a línguagem indígena é cada vez mais esquecida.
Portanto, fica evidente a dificuldade atual em manter as línguas indígenas que restaram, para que essas não sejam extintas, apagando um dos traços culturais do Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério Público fazer relatórios mais aprofundados, para que, juntamente à FUNAI, possam realizar projetos eficazes dentro de escolas, aldeias e espaços públicos, para que a identidade indígena não seja perdida e suas línguagens passem a ser mais respeitadas e conhecidas. Além disso, o Ministério da Educação poderia fazer uma reformulação no ensino de idiomas, para que busquem abordar os dialetos dos indígenas de forma direta como em disciplinas, ou de modo indireto como em assuntos de história. A fim de que, a cultura base do Brasil seja preservada e conhecida.