A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 17/11/2021
No livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, é retratada a personagem de um major, de mesmo nome que a obra, um homem extremamente nacionalista que, certa vez, reivindicou à Câmara dos Deputados a substituição do português pelo tupi-guarani como idioma oficial do Brasil, pois, segundo ele, era a língua mais “original” do país. Fora da ficção, é fato que a personagem criada pelo autor brasileiro pode ser contraposta à realidade da atual conjutura nacional, dado que as línguas de origem indígena são desvalorizadas, o que gera a perda da cultura popular, tornando tal cenário intolerável.
Nesse contexto, a personagem da citada obra clássica ilustra adequadamente o sentimento de valorização nacional que deveria ter o brasileiro para com sua cultura, mas que não é expresso na realidade. Assim demonstram pesquisas do Atlas Mundial das Línguas, ao informarem que 90% das línguas indígenas do Brasil já foram extintas e, ainda, que as sobreviventes estão juntamente ameaçadas. Nesse viés, fica claro a falta de comunhão por parte da população brasileira com a necessidade de exaltação dos valores tradiconais do país que tinha Policarpo Quaresma, o que dificulta a resolução deste triste quadro.
Outrossim, tal problemática ocasiona não somente a perda como também o desconhecimento de parte da cultura nacional por um número elevado de pessoas da população, já que, juntamentamente com os europeus, os indígenas concomitamente compõem os costumes e valores - incluindo a língua - brasileiros, e que não podem ser desprezados. Portanto, dado que das 274 línguas indígenas existentes 190 correm o risco de desaparecer, segundo dados da Organização das Nações unidas pela Educação, Ciência e Cultura (Unesco), fica evidente a importância da discussão desse tema.
Conforme os argumentos apresentados acima, urge ao MEC (Ministério da Educação), juntamente com a Funai (Fundação Nacional do Índio), disponibilizar, por meio das redes regulares de ensino, materiais para o estudo dos diversos aspectos dos costumes dos indígenas brasileiros - incluindo as línguas -, a fim de que o conhecimento de seus idiomas não morram com o passar dos anos, assim como vem ocorrido. Também cabe à mídia, por meio dos anúncios, propagar a exposição de conteúdos nos falares “originais” do Brasil. Dessa maneira, obteremos uma sociedade comungando do mesmo sentimento que a personagem de Lima Barreto, conscientes do valor da cultura nacional, que não olvidam da importância dos idiomas dos nativos do país.