A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 20/11/2021

Na obra “Utopia, do escritor Thomas More, é retratado uma comunidade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e adversidades. Todavia, no Brasil, a extinção de línguas indígenas faz com que os planos de More não seja eficaz. Com efeito, há de se analisar o descaso governamental e o silenciamento midiático como impulsionadores desse revés.

Diante disso, cabe destacar a forma como o governo lida com o ensino. Nesse viés, embora a Constituição assegure dois importantes direitos: o acesso à educação e à cultura, na prática nota-se que ambos os direitos são desrespeitados. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Estado exerce ao não promover a valorização da cultura indígena no ambiente escolar, visto que a vasta diferença linguística desse povo é pouco - ou quase nada - conhecida pelos demais cidadãos. Isso porque, na maioria das vezes, as escolas tratam o Dia do Índio como uma mera comemoração sem que haja uma reflexão sobre o tema, o que só colabora para a perpetuação de estereótipos acerca desses seres, como a ideia de que eles são primitivos. Dessa forma, é preciso que as escolas repensem seus ensinamentos e busquem meios para evidenciar a importância desse grupo.

Ademais, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Contudo, percebe-se que parte da mídia adota uma postura opressora, pois, age no silenciamento do assunto quando deveria promover debates que elevem o nível de informação da população sobre essa temática, já que as redes socias e programas de Tv não viabilizam a plena inclusão dos idiomas desses indivíduos, restringindo-se apenas ao português brasileiro como único dialeto. Essa situação faz com que não ocorra uma representatividade linguística, o que favorece as chances de extinção de línguas indígenas - a exemplo do terene e da paumari. Consequentemente, essa conduta faz com que a mídia nacional se mostre intolerante agindo contra uma ampla e rica diversidade sociocultural e ferindo a identidade de toda sociedade indígena.

Portanto, o Ministério da Educação - como instância máxima dos aspectos educacionais - deve criar projetos pedagógicos, como palestras e ações comunitárias, por meio de professores e falantes nativos capazes de trazer novos conhecimentos aos cidadãos. Inclusive, essa iniciativa deverá ser divulgada no espaço virtual - Instagram e You Tube -, com o fito de poder apresentar esses povos e suas línguas naturais. Logo, isso poderá sanar a falha estatal e postura negativa da mídia e, desse modo, fazer jus à realidade citada por Thomes More.