A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 28/03/2022
De acordo com o Atlas das línguas em perigo, da Unesco (organização das nações unidas para a educação, ciência e cultura), 190 línguas indígenas estão ameçadas de extinção no Brasil. Logo, há uma grande necessidade de medidas para preservar as línguas em questão, dada a importância socio-cultural das mesmas,e seu papel na construção da identidade humana, em minorias vulneráveis socialmente.
Historicamente, houveram esforços da Coroa portuguesa para erradicar a língua mãe dos nativos, como forma de facilitar o seu domínio cultural. Pois, ao retirar este elemento essencial para sua identidade como povo, e também para acesso a sua cultura, se diminuía a suas chances de resistência contra a opressão causada coercitivamente pela elite social vigente. Dessa forma, em meados do século XVIII, foi proibido usar qualquer dialeto de origem indígena, e o português foi imposto como língua oficial para minorias étnicas. Logo, a extinção das línguas indígenas no Brasil, está relacionada a uma perseguição e criminalização histórica
É importante ressaltar que o desaparecimento das línguas indígenas no Brasil, está fortemente relacionado com a falta de preservação adequada de suas terras. Assim, atividades ilegais para extração vegetal que ocorrem em solo indígena, bem como a violência característica deste processo, e também a ausência de um combate eficiente contra estas práticas, levam para um cenário hostil aos ameríndios, no qual direitos constitucionais do cidadão brasileiro são negados. Então, para garantir a sobrevivência de seus dialetos, é necessário também garantir o direitos básicos, como a vida e a segurança de cada indivíduo.
Em suma, o desaparecimento da cultura indígena está relacionada a uma perseguição histórica, e então, atualmente, pouca efetividade no combate contra a destruição sistemática do território e cultura indígena. Portanto, é necessário que o governo federal, em parceria com a FUNAI (fundação nacional do índio),criem leis que aumentem as punições sobre crimes contra estas etnias desfavorecidas socialmente, e promovam o registro do conhecimento e língua sobrevivente ao tempo, afim de evitar mais perdas irreparáveis, pois como diria Olavo Bilac “a pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos economicos políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo”.