A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 24/08/2022

Na carta de Pero Vaz de Caminha, é informado ao rei acerca da existência dos indígenas e a possibilidade de uma catequização. Um ato que teve grandes implicações na história brasileira, e, por isso, faz-se necessário analisar a problemática da desvalorização da linguagem indígena e do preconceito enraizado na cultura. A crueldade portuguesa se faz presente no apagamento cultural dos nativos, tanto pela obrigação de adequação dos mesmos aos hábitos brancos quanto pela falta de interesse dos brasileiros em resgatar costumes e falas antigos.

De início, é possível verificar que a adequação dos indígenas aos hábitos portugueses obteve papel imprescindível para a aculturação dos nativos. Em “A Oralidade Perdida”, de Andrea Baher, é informado que a remoção da língua nativa dos primeiros brasileiros foi uma meta (por sua vez, alcançada com mérito) dos europeus, para a catequização e conquista da área, e, como consequência, essas línguas entraram em desuso. Pode-se depreender, portanto, que a remoção das línguas nativas dos primeiros brasileiros teve, como maior consequência, a extinção das mesmas e, também, de toda a cultura dos povos.

Ademais, a negligência dos brasileiros com a cultura de seu povo dificulta um resgate das antigas línguas. Em “O Homem Cordial”, Holanda afirma que o homem é um ser egoísta, pois tende a valorizar ideais individuais, em detrimento ao pensamento coletivo. Pode-se inferir, então, que o brasileiro tem pouco interesse em buscar conhecer e respeitar a história do Brasil. Em modo adverso ao esperado, a população, muito afetada pelo colonialismo, faz questão de desprezar e descriminar aqueles que não se encaixam aos moldes de perfeição, tão apreciados pela sociedade brasileira.

Portanto, o reconhecimento da desatenção com a linguagem se faz necessária. Com a ajuda do Ministério da Educação e Cultura (MEC), esse quadro pode ser revertido, com a implantação de melhor didática ao tratar o assunto e, talvez, a criação de um dicionário do tupi-guarani, por ser uma das mais famosas famílias linguísticas brasileiras. Assim, a aglomeração do conhecimento seria mais aprofundada e os cidadãos em formação estariam tendo mais curiosidade por seus antepassados, cuja resistência é digna de respeito e admiração.