A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 13/05/2022

Na obra “Canaã”, de Graça Aranha, um dos personagens defende o etnocentrismo, ou seja, a superioridade do homem branco em relação a uma outra cultura. De maneira análoga, tem-se o perturbador desprezo das línguas indígenas presentes no Brasil, já que muitas pessoas desconhecem a importância da valorização da cultura dos primeiros habitantes da nação, sendo resultado da colonização europeia. Ademais, a persistência dessa mazela deve-se à banalização da omissão social e ao descaso governamental.

Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, a banalidade do mal ocorre quando o indivíduo negligencia um determinado problema social. Paralelo a isso, é perceptível o desprezo da extinção das línguas indígenas, tendo em vista a persistente omissão social em relação a necessidade de proteger os poucos idiomas nativos que ainda restam. Nesse sentido, soma-se o conceito de Arendt ao tema proposto por Graça Aranha, pois ambos contribuem para o explicar da perpetuação desse mal.

Além disso, a Constituição Federal de 1988 assegura o direito de igualdade a todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, muitas pessoas, principalmente os índios, ainda não usufruem dessa constituinte em virtude do descaso governamental. Com isso, grande parte deles tem sua língua representada apenas entre as tribos. Tendo isso em vista, é necessário que o problema seja combatido desde a origem, ou seja, investindo mais no orgãos responsáveis pela perpetuação da cultura .

Logo, cabe ao governo instituir um comitê gestor—formado por um representante de cada área—, por exemplo, FUNAI , diretores de instituições educativas e mídias. Essa ação se dará por meio de um plano de combate, em que haverá maior direcionamento de verbas e campanhas informativas sobre a evidência da extinção da língua indígena. Isso será feito a fim de remediar a omissão social e o descaso governamental. Desse modo, ausentando o etnocentrismo de Graça Aranha da realidade brasileira.