A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 29/07/2022
Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, era um ufanista que desejava à implementação do tupi-guarani como língua oficial do Brasil e, por isso era ridicularizado. Embora fictício, é demonstrado por meio do protagonista um cenário de exclusão, que está presente desde a colonização com a supressão do idioma dos nativos. Tal realidade perpetua-se ainda hoje, provocando à extinção de diversas línguas indígenas.
Sob esse viés, desde os primeiros contatos dos portugueses com os indígenas já é perceptível a tentativa de imposição dos costumes. Nesse sentido, para Jurgen Habermas, a comunicação deve ser orientada pelo “agir comunicativo” , isto é, o uso da linguagem na busca por consensos para que possa ser promovido o bem-estar social. No entanto, é evidente que durante o processo de colonização, a fala foi utilizada com o objetivo de apagar a identidade cultural e extinguir o idioma indígena através da imposição do português. Portanto, percebe-se o etnocentrismo presente na formação do Brasil.
Por conseguinte, em virtude desse passado histórico, a democracia brasileira exclui da sua participação diversos povos. Esse cenário é demonstrado, principalmente, na falta de políticas que busquem efetivamente a defesa do patrimônio linguístico desse grupo. Posto isso, nota-se a assertividade de Hannah Arendt ao cunhar o termo “banalidade do mal”, uma vez que na sociedade hodierna a prática do “mal” sobre determinadas minorias é comum. Logo, é fulcral que o Estado implemente políticas públicas para solucionar essa problemática.
Destarte, é mister que o Ministério da Educação, já que é a instituição responsável pelo Plano Nacional de Educação, fomente aulas de ética, cidadania e cultura mediante o aumento da carga horária de disciplinas de ciências humanas na base nacional comum curricular. Além disso, é fulcral que o Ministério da Cidadania com o auxílio do congresso nacional promova o tombamento da língua indígena. Tudo isso a fim de formar cidadãos mais consciente e que valorizem, assim como Policarpo Quaresma, os elementos culturais nacional.