A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 26/08/2022

A extinção da língua indígena no Brasil advém do processo histórico de formação do país, o qual ocorreu de maneira autoritária e excludente, uma vez que os povos autóctones sofreram processos de aculturação durante a colonização do século 16. Tal conjuntura provocou a invisibilização dos povos indígenas na sociedade, o que contribuiu para o desaparecimento de tradições imprecindíveis à cultura desses in-divíduos, como a língua. Diante disso, entende-se que a extinção desse idioma afe-ta a preservação histórica do país, sendo necessária a análise das causas que en-globam essa problemática, a fim de impedir o enfraquecimento dessa cultura.

A partir do exposto, compreende-se que a coersão portuguesa e as missões je-suíticas formam um conjunto de ações represivas, as quais promoveram a desva-lorização cultural indígena, vista até os dias atuais. Essa premissa é visível ao anali-sar as ameaças de extinção das línguas desses povos, os quais, apesar de serem reconhecidos como cidadãos pela Carta Magna brasileira, carecem de proteção e de valorização. Bom exemplo disso é o artigo 231 da Constituição Federal de 1988, que reconhece as tradições e as línguas tradicionais dos índios, contudo, vê-se que tal código legal vai de encontro com a realidade do país, já que políticas públicas que preservem a cultura desses povos são ausentes no território.

Outrossim, nota-se que o processo colonizador privilegiou culturas estrangeiras em detrimento das nacionais. Isso é notório nas instituições educacionais brasilei-ras, as quais têm na base curricular o ensino das línguas inglesa e espanhol, mas carecem do ensino de uma língua fundamental para a constituição cultural brasilei-ra, a língua indígena. Ademais, entende-se que proteger a língua de um determi-nado povo vai além de celebrar a sua existência em um dia comemorativo, como ocorre nas escolas no dia 19 de abril, tido com o “Dia do Índio”. Deve-se, portanto, atuar de maneira prática na ampliação e na preservação da cultura dos grupos au-tóctones, para que ameaças de extinção não sejam um entrave a esse povo.

Torna-se imperioso, portanto, que os órgãos governamentais e que o Ministério da Educação preservem as línguas indígenas, por meio de projetos na sociedade e nas escolas, como a instituição do ensino desses idomas, a fim de fomentar a valorização dessa cultura e de cumprir com os códigos legais brasileiros.