A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 18/10/2022
O escritor Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como a extinção das línguas indígenas. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia, feitos que eternizam essa problemática.
Com efeito, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz da destruição de idiomas aborígenes brasilense. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que o contato com outras culturas e a falta da valorização da cultura indígena são geradores desse cenário. Portanto, indivíduos padecem, pois com mais de cento e noventa línguas indígenas, o Brasil tem o terceiro maior número de dialetos ameaçados, e têm as garantias, previstas na legislação pátria, desprezadas, visto que não há respeito à Carta Magna.
Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução da aniquilação dos dialetos autóctones brasílicos. Nesse sentido, em sua tese “Modernidade Líquida”, o filósofo Zygmunt Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. Acerca disso, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante a inexistência de proteção a esses idiomas, já que, segundo o Atlas Mundial de Línguas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, mais de mil foram extintos desde a colonização. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com suas vontades egocêntricas, assim, menospreza-se a comunidade. Logo, a insensatez cidadã extinguiu quase noventa por cento das línguas indígenas e as restantes estão ameaçadas.
Destarte, a Fundação Nacional do Índio deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de filmes informativos sobre o extermínio de línguas nativas no Brasil. Afinal, essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso da sociedade com a empatia, além de refutar a ideia da cidadania ilusória.