A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 10/11/2022

No início do século XX, o Brasil foi palco do movimento artístico modernista, que buscava formar um identidário baseado em elementos verdadeiramente brasileiros, como os povos indígenas - retratados no Manifesto Antropofágico. Contudo, a participação dos autóctones na identidade nacional é deturpada, a medida que seus idiomas são ameaçados na sociedade em voga. Sendo assim, cabe dissecarmos a negligência estatal e o silenciamento midiático como motrizes na problemática.

A princípio, vale ressaltar que a Constituição Federal de 1988 (maior símbolo legislativo do país) garante a manutenção da cultura a todos. Entretanto, na prática, esse direito não é assegurado de forma igualitária, uma vez que, ao não promover medidas para a preservação de línguas indígenas, e nem mecanismos que auxiliem a disseminação de tais saberes para além da atmosfera específica, isto é, entre a própria etnia, o governo contribui para o apagamento da cultura desses povos no território.

Ademais, é pertinente apontar a falta de discussões na mídia acerca da extinção de línguas nativas como catalisadora do ódice. De acordo com a filósofa Djamila Ribeiro, uma pauta só será solucionada caso seja retirada da invisibilidade. Nesse viés, conclui-se que, a ausência de notícias em veículos informativos, como jornais, e a pouca representatividade dos costumes indígenas em obras televisivas, como novelas (programa de maior alcance nacional segundo IBOPE), impede que o problema ganhe notoriedade e seja confrontado.

Portanto, é essencial que haja uma cooperação entre o Ministério da Cidadania e o Ministério da Educação - ambos assistidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - na ministração de cursos gratuitos e palestras sobres os saberes indígenas em ambientes públicos, como escolas, museus e teatros, a fim de disseminar e perpetuar esses idiomas no meio social. Dessa forma, o identidário nacional contemplará sua diversidade cultural plenamente, como proposto no modernismo.