A extinção de línguas indígenas no Brasil

Enviada em 11/11/2022

Com raízes no genocídio e apagamento cultural indígena advindos do processo de colonização português, a desvalorização e discriminação contra os povos nativos Brasileiros se evidencia em diversos âmbitos. Entre eles está a ameaça de extinção de cada vez mais idiomas vindos de tribos originárias. Tendo em vista a nítida violação da cidadania indígena, visando o artigo 231 da Constituição de 1988, que garante a esses povos o direito de preservação de sua cultura e costumes, entende-se como necessária buscar formas de reverter este quadro.

Em primeiro plano, é preciso analisar o contexto histórico como principal influente na atual realidade indígena: a colonização, expulsão e assassinato desses povos no século XVI. Em busca de de expandir suas riquezas explorando materiais vindos da região que hoje é o território nacional, os portugueses invadiram as terras habitadas pelos nativos e causaram a morte de mais de 50 milhões de indígenas nesse período. Este extermínio se reflete até os dias atuais, por ter colaborado com o apagamento de tribos, culturas e idiomas inteiros.

Em segundo plano deve-se considerar a deliberada repressão cultural e linguística dos nativos restantes por parte dos jesuítas também no período colonial. Por acreditarem que os povos indígenas eram seres inferiores e ignorantes que precisavam de salvação espiritual, a ordem religiosa católica enviada de Portugal tomou por função catequizar e educar essas pessoas a respeito do idioma e dos costumes portugueses em detrimento de sua própria cultura e sua própria língua. Como consequência, os costumes e idiomas originários foram forçosamente suprimidos e, com o tempo, muitos deles completamente apagados. Tais medidas contribuíram fortemente para o alarmante cenário atual.

Para conter os danos e reverter a situação exposta, se faz crucial a tomada de medidas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), sendo estas medidas projetos de preservação e manutenção dos idiomas originários. Estes devem se dar por meio de investimentos na educação local nas tribos, assim, gerando a oportunidade das crianças de aprenderem com profundidade e recursos sobre sua própria cultura e suas próprias línguas, diminuindo a iminência de extinção das mesmas.