A extinção de línguas indígenas no Brasil
Enviada em 30/05/2025
Na canção “Principia”, o cantor Emicida se pergunta o porquê de o Brasil ser tão amargo, se é a “casa da cana-de-açúcar”. Essa antítese é evidenciada, na realidade vigente, ao se observar a extinção de línguas indígenas no Brasil. Nesse sentido, o desinteresse do Estado, bem como o silenciamento da problemática sustentam esse quadro amargo.
Diante desse cenário, é importante destacar que o desinteresse do Poder Público ocorre porque o governo não enxerga retorno financeiro. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, o maior objetivo dos governantes é a manutenção do próprio poder, não o bem-estar social. Por isso, o Estado não investe em recursos para a valorização das línguas indígenas no país, o que colabora, em grande escala, para a extinção desse patrimônio cultural imaterial e o aumento do preconceito, já que não são consideradas línguas oficiais no Brasil. Desse modo, é inadmissível que, em uma sociedade democrática, os governantes tratem o problema de forma precarizada.
Ademais, é importante salientar o emudecimento da questão. De acordo com a Djamila Ribeiro -socióloga expoente brasileira-, é necessário retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, partindo da visão da pensadora, é notório que há uma escassez de debates quanto à importância de preservar as línguas indígenas no país, para mostrar à população brasileira que a diversidade dessas línguas sempre foi cheia de identidade, conhecimento e tradições, desde a criação do Brasil, sendo essenciais para a manutenção da diversidade linguística.
Portanto, é imprescindível que essa conjuntura seja dissolvida. Para isso, o Governo Federal -órgão responsável pelo bem-estar social- deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância de conservar as línguas indígenas no Brasil. Tal medida tem como objetivo tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre o tema, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, a “casa da cana-de-açúcar” deixará de ser amarga.