A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 07/05/2021
Na concepção de Emile Durkheim, sociólogo francês, o comportamento desviante do indivíduo que descumpre seu papel social, pode fragilizar toda a organização. Partindo desse viés, torna-se evidente que a falta de consciência ambiental encaixa-se na teoria do pensador, uma vez que prejudica o fluxo harmônico do corpo social. Dessa forma, seja pela deturpada construção histórica, seja pela leniência estatal, esse imbróglio desafiador é vigente. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar ações para superar essa celeuma.
Nesse contexto, a omissão social é fator determinante para manutenção dessa conjuntura. Sob essa égide, Michel Foucault, pensador francês, em sua teoria sobre a Microfísica do Poder, expõe que a normalização dos costumes parte de todas as instituições sociais. Partindo desse pressuposto, é fundamental destacar a escassez de conscientização e a ausência de uma estrutura funcional como fatores catalisadores dessa questão. Em consequência disso, o determinismo geográfico- meio no qual o individuo está inserido, determina seu papel social e comportamental- é incorporado e a sociedade entra em um círculo vicioso. Logo, a sedimentação social é reflexo da desordem estrutural.
Ademais, é fulcral pontuar a inoperância do poder público em cumprir seu papel de promotor do bem-estar social. Sob esse prisma, o pensador contratualista John Locke, em seu “Contrato Social”, afirma que o Estado deve promover meios para garantir a harmonia entre o meio coletivo. No entanto, falta de políticas públicas, principalmente de fiscalização, faz com que esse paradigma matenha-se vigente. Por conseguinte, há a transgressão da Constituição Federal de 1988, uma vez que o artigo 225 garante para todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Então, enquanto a negligência estatal for realidade, o Estado Democrático de Direito será utópico.
Portanto, faz-se necessário lançar medidas para mitigar tal mazela. Dessarte, é dever do Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover uma amplição concreta do setor ambiental, por meio de investimentos financeiros- os quais serão revestidos na especialização e na capacitação de profissionais da área e em melhorias na infraestrutura-, com vistas à consolidação de um meio permeado pela coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis, onde os direitos constitucionais serão garantidos e respeitados. Além disso, convém as escolas em parceria com as famílias, inserir no cotidiano escolar debates e palestras acerca da consciência ambiental, com intuito de formar o senso crítico e de viabilizar a construção gradativa de uma sociedade mais harmônica. Desse modo, o corpo social não descumprirá seu papel social e a carência de percepção ambiental será superado.