A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 07/05/2021
Na obra pré-mordenista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, de maneira análoga, os empecilhos em torno da conscientização ambiental é um provável imbróglio social no qual o major Quaresma entenderia como fator da ruptura das engrenagens nacionais. Com efeito, seja pela deturpada construção histórica, seja pela negligência estatal, esse infortúnio persiste na teia coletiva. Urge, assim, a necessidade de analisar e buscar ações para superar essa questão.
Nesse contexto, evidencia-se por parte da deturpada construção histórica, um estado inercial frente à problemática. A respeito disso, é fulcral destacar a falta de pertencimento coletivo e ambiental como fator catalisador dessa questão. Por conseguinte, a perca da biodiversidade impede, assim, o andamento das engrenagens sociais. Ilustra bem tal fato, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, na ‘‘Teoria Habitus’’, ao expor que a sociedade detém padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos - como a formação da falta de consciência ambiental.
Ademais, vale salientar a negligência estatal na busca de ações efetivas para sanar os crimes ambientais. Com base nesse viés, Zygmunt Bauman, pensador polonês, definiu como “Instituição Zumbi” as entidades políticas e sociais com ações lenientes. Portanto, a metáfora proposta por Bauman é evidenciada em “terras tupiniquins” uma vez que o Estado - provedor de garantias coletivas - não oferece ao corpo social políticas públicas efetivas no combate a falta de consciência ambiental- haja vistas o aumento do número de desmatamento e queimadas em 86% em 2020, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ( IBAMA) . Em consequência disso, ocorre a transgressão da Constituição Federal de 1988, a qual garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado no seu artigo 225ª.
Para isso, faz-se mister buscar ações para sanar esse quadro. Com isso, convém ao Congresso Nacional, mediante aumento nos investimentos - os quais serão possibilitados por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - ampliar o setor ambiental, por meio de fiscalizações das verbas direcionadas à área, com vistas à consolidação de um cenário permeado da coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis. Além do mais, cabe às escolas promoverem ações sociais com profissionais qualificados, para dar fim a falta de consciência ambiental. Desse modo, o sonho de Quaresma tornar-se-ia realidade.