A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 11/05/2021

O filme “Mogli, o menino lobo”, da Disney, narra a história de um garoto que, criado por animais, aprende a importância de preservar a natureza através do lema “usar somente o necessário”. Paralelo ao universo artístico, percebe-se que tal conjuntura passa a ficar restrita apenas à ficção, uma vez que a falta de uma consciência ambiental é uma realidade no meio social. Logo, é viável entender como a negligência governamental - com relação às questões ambientais - atrelado ao exarcebado uso dos recursos naturais pelo agronegócio, podem contribuir para o agravamento dessa problemática no país.

De início, cabe destacar a escassa importância dada, por parte do Estado, aos mecanismos necessários para a manutenção do meio ambiente no Brasil, como um dos fatores atrelados à falta de uma consciência ambiental. Isso porque, em virtude do baixo investimento financeiro do Governo na gestão de recursos para a preservação da natureza, fatores de ampla importância ambiental passam a ser colocados em um segundo plano. Constata-se isso com base nos dados disponibilizados pela WWF-Brasil, os quais mostram que o orçamento para o Meio Ambiente, em 2018, foi o menor dos últimos 5 anos. Dessa forma, a escassez de uma consciência ambiental, por parte do Estado, prolifera a contante degradação do meio ambiente no país, ampliando ainda mais os problemas naturais.

Em uma outra análise, a demasiada importância atribuida ao uso da natureza como um meio econômico também comprova a existência de uma clara falta de consciência ambiental. Justifica-se isso pelo fato de que, em decorrência da crescente adoção de uma mentalidade voltada ao vasto desenvolvimento econômico no país, os recursos naturais passam, muitas vezes, a serem vistos como um meio para atingir esse objetivo, sem que haja um devido equilíbrio ambiental. Tal conjuntura é amplamente observada diante do desenvolvimento do agronegócio no Brasil, o qual culmina em um amplo desmatamento e uso hídrico, tendo como objetivo uma produção e lucro em grande escala. Esse panorama é criticado pelo filósofo Adam Smith, ao citar o consumo como o único propósito de toda a produção, o que caracteriza - de modo relevante - o objetivo do agronegócio no país.

Portanto, é notória a relação entre a banalização social, no que tange à preservação ambiental,e tal problemática. Desse modo, é indubitável a criação de um Plano de Sustentabilidade Ambiental, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente - órgão federal responsável pela política ambiental do país. Tal ação deverá ser feita por meio da destinação de mais verbas para o desenvolvimento de políticas de preservação ambiental, e de um maior monitoramento do uso dos recursos naturais, sobretudo pela agropecuária extensiva no país, com a punição dos infratores das regras ecossistêmicas. Com isso, será possível a adoção de uma consciência ambiental no Brasil, aproximando-se da realidade de Mogli.