A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 30/05/2021

“Eu vejo o futuro repetir o passado”. O trecho da música “O tempo não para” do cantor brasileiro Cazuza representa, de modo atemporal, a questão da carência de conhecimento ambiental no território brasileiro, tendo em vista que essa adversidade se encontra presente desde o período de colonização, onde a prática da exploração exacerbada dos colonos sobre as terras brasilianas persiste e reverbera nas condições atuais do país. Dessa forma, esse cenário antagônico traz como efeito a negligência governamental que, consequentemente, impede as futuras gerações de desfrutar os mesmos recursos que temos hoje à disposição.

A princípio, cabe pontuar o desmazelo do Estado como causa dessa problemática. Conforme o artigo 225 da Constituição Federal de 1988, promulgada por Ulysses Guimarães, é direito de todos ter um meio ambiente ecologicamente equilibrado, sendo do Governo o papel de promoção de tal prerrogativa. Entretanto, as insuficientes políticas públicas fazem com que a população se desatente dos impasses ecológicos não assentados e, assim, fira esse direito constitucional tal como o bem-estar do povo. Assim, há o fortalecimento da premissa do jornalista Gilberto Dimenstein, evidenciada em seu livro “O cidadão de papel”, que “tais leis residem tão somente na teoria”. Nessa óptica, faz-se necessária a análise desse quadro.

Outrossim, é importante apontar a não conservação do meio ambiente para as próximas gerações como consequência dessa controversa. Segundo o filósofo alemão Hans Jonas, devemos assumir nossas responsabilidades sobre nossos atos, não apenas pensando nos próprios desdobramentos, mas, principalmente, nos das gerações vindouras. Essa afirmativa, portanto, associa-se à falta de conscientização ambiental, uma vez que grande parte da população desconhece das condutas corretas acerca da preservação ecossistêmica que, como sequela, pode desencadear desastres ambientais concretos vitimando centenas de seres vivos. De acordo com relatórios da ONU, prevê-se, até 2050, uma catástrofe ambiental no mundo, ampliando os desafios para manter o planeta em zelo.

Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar essa questão. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com o Ministério da Educação, responsável pelas políticas educacionais do país, devem, por meio palestras didáticas e efetivas, no ambiente escolar, ministradas por profissionais da área, abordar sobre as consequências da falta de conhecimentos sustentáveis, a fim de conscientizar os jovens, futuro da nação. Além disso, a comunidade, deve, por meio de pressão social, exigir leis mais rígidas no que diz a respeito a questão ambiental. Somente dessa forma, será possível garantir o pleno funcionamento da sociedade e invalidar o trecho de Cazuza.