A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 08/07/2021

A Constituição Cidadã - promulgada em 1988 - afirma, no artigo 225, que todos os indivíduos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Todavia, a lei fundamental e suprema do Brasil não alcança, na prática, a efetividade, sobretudo em áreas em que a falta de consciência ambiental é soberana. Com efeito, é de suma importância analisar, respectivamente, as atitudes do Estado e da população nessa realidade: a valorização do lucro acima do meio e a ausência de mentalidade coletiva.

Diante desse cenário, a supervalorização do lucro a qualquer custo inviabiliza a construção de projetos sustentáveis. Acerca disso, a consciência ambiental do Estado esbarra na exacerbação do pensamento capitalista e na despreocupação com as consequências socioambientais, as quais foram iniciadas no período Pré-Colonial, a exemplo da exploração do Pau-brasil, que, atualmente, está em risco de extinção. Nesse viés, o comportamento do início do século XVI se mostra incompatível com um ambiente equilibrado assegurado, teoricamente, pela Constituição de 1988 e agride todo o ecossistema brasileiro, já que a destruição da biodiversidade danifica o solo, polui a atmosfera e, consequentemente, prejudica a qualidade de vida da população. Assim, enquanto a mentalidade - exclusivamente -lucrativa do governo se mantiver, o desenvolvimento de um país sustentável será impossível.

Ademais, ocorreu, no Rio de Janeiro, a Conferência ECO - 92, a qual tinha o objetivo de lutar por um mundo mais sustentável e criou o preceito dos “3R`s”: reduzir, reutilizar e reciclar. Entretanto, ocorre que esse “lema” desenvolvido em 1992 não está interiorizado no cotidiano dos brasileiros, haja vista que materiais de difícil degradação - como plásticos, por exemplo - são constantemente encontrados nas ruas, nas praias e nos oceanos, o que mostra um pensamento estritamente individualista por parte dos cidadãos, dado que não entendem o impacto que uma simples sacola deixada na calçada pode ocasionar. Logo, não é razoável que, embora o Brasil participe ativamente de conferências ecológicas, os cidadãos insistam em se negar a tomar atitudes com o pensamento coletivo e aderir ao discurso realizado no Rio de Janeiro.

Para que o Brasil, portanto, torne-se um exemplo de país ecologicamente sustentável, o Estado deve equilibrar os desejos lucrativos com a preservação ambiental, por meio de parcerias com as indústrias nacionais, que deverão realizar um ciclo produtivo: matéria prima se transforma em produto, e os resíduos são reaproveitados dentro do próprio processo. Essa iniciativa, em conjunto com propagandas a favor do desenvolvimento de hábitos sustentáveis, teria a finalidade de romper com a falta de consciência ambiental no Brasil, de sorte que as atitudes do período Pré-Colonial deixem de ser, em breve, uma realidade na contemporaneidade.