A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 24/07/2021
De acordo com o Método Cartesiano, teoria proposta por René Descartes, para a síntese de um problema é preciso analisá-lo sob perspectivas distintas. Hodiernamente, no que concerne ao infortúnio da falta de consciência ambiental, a proposta analítica supramencionada demonstra-se de extrema relevância. Desse modo, é imperativo analisar não somente as consequências da exploração exacerbada dos recursos naturais, mas também os fatores que impedem subverter essa realidade maquiavélica no cenário brasileiro.
Precipuamente, convém salientar que, segundo a Agência Nacional de Águas, em 2017, cerca de 45% de todo o esgoto produzido no Brasil não era tratado. Nesse viés, percebe-se que, diariamente, uma quantidade exorbitante de efluentes são lançados diretamente nos corpos d’água, o que afeta negativamente a fauna e a flora. Por conseguinte, o aumento de doenças por consumo de água contaminada ou pela inalação de impurezas contidas no ar já é uma realidade entre os brasileiros, além do prejuízo aos animais que têm seu hábitat natural destruído pela ação antrópica nefasta.
Outrossim, é indubitável que a displicência político-administrativa é um fator-chave na potencialização da problemática. Acerca dessa premissa, nota-se a refutação do princípio estabelecido por Jean Bodin, segundo o qual a Política deve garantir o bem-estar da sociedade em geral. A título de ilustração é mister citar o fato de que dados do CEMPRE revelam que, até 2018, menos de 20% dos municípios brasileiros possuíam sistema de coleta seletiva implementado. Assim, fica explícito que a falta de atenção ao meio ambiente parte não só daqueles que o utilizam de maneira degradante, mas também da falta de ação eficaz do Poder Público.
Ante os fatos, é imprescindível que o Ministério do Meio Ambiente, em consonância às escolas de nível fundamental e médio, atue de modo a promover a consciência ambiental nos brasileiros desde a tenra idade. Para tanto, devem ser contratados profissionais da engenharia florestal e ambientalistas para a realização de palestras semanais que alertem acerca das consequências do uso desregulado dos recursos naturais e o quanto isso é prejudicial aos seres vivos em geral. Tais medidas visam a formação de cidadãos engajados para a proteção da natureza mediante uma educação ambiental eficiente para, dessa maneira, ratificar a real função da Política assim como proposto por Jean Bodin.