A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 09/08/2021
“Fugere Urbem”. O axioma da literatura europeia árcade apresenta-se como síntese principal da mentalidade artística do século XVIII, baseada na valorização campestre como modo de preservar a verdadeira essência. Essa primazia dada à natureza vai de encontro a realidade hodierna na medida em que, com a Revolução Industrial, o meio ambiente deixa de fazer parte da consciência brasileira, justamente pela ganância do corpo social aliada a negligência dada a educação ecológica no país. Logo, mostra-se necessária a análise dessa trama nociva à perpetuação humana como espécie.
É lícito postular, de início, que nada é suficiente para quem o suficiente é pouco. Sob esse viés, a máxima do filósofo Epícuro elucida a ganância ainda existente na mentalidade contemporânea, ao passo que, guiado por ideais estritamente econômicos, a sociedade verde-amarela menospreza o meio natural ao não levar em consideração os riscos que os atos cotidianos trazem ao verdadeiro “tesouro” brasileiro, perpetuando a cultura voltada para o usufruto ambiental irresponsável com o fito único de garantir o lucro. Essa dinâmica inconsequente pode ser vista na óptica de Mahatma Ghandi, o qual afirma que há o bastante para a necessidade humana, mas não para a sua cobiça, indicando o quão danoso é a avidez humana até mesmo para a sua própria existência. Desse modo, o ideário de cunho puramente pecuniário mostra-se para o filósofo helenístico como um agente nocivo à natureza.
Outrossim, tem-se noção de que a Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o acesso igualitário à educação de qualidade. Entretanto, o cotidiano diverge do pressuposto legal, uma vez que mostra-se evidente a latente premência estatal em relação à questão ecológica nas instituições escolares do país, que corrobora para que a população cresça sem que haja a formação de uma consciência ambiental adequada, ou seja, o ideário social não possui os valores básicos para a preservação do meio natural. Esse contexto é salientado pelo prussiano Kant, o qual afirma que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, revelando a necessidade da transmissão adequada dos conhecimentos. Logo, essa mentalidade é irremediavelmente atrelada às escolas.
Destarte, depreende-se que a ganância e a negligência educacional perpetuam a ausência dessa percepção pelas gerações. Nessa seara, compete ao Ministério da Educação, juntamente com as instituições escolares público-privadas - responsáveis pela transmissão dos saberes - inserir, em médio e longo prazo, a importância da valorização do meio ambiente, por meio de constantes dinâmicas virtuais multidisciplinares que visem desconstruir a cultura baseada na avidez e elucidar, principalmente, os jovens acerca de meios para garantir essa preservação devida. Assim, recuperar-se-á o pensamento árcade de enaltecimento da riqueza natural do Brasil.