A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 13/08/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer formas de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XIX. Analogamente, o contexto brasileiro hodierno é semelhante ao precário de More, pois a falta de consciência ambiental é latente no Brasil, seja por causa da mentalidade capitalista, seja pela carência de uma educação ambiental escolar. Torna-se urgente, portanto, a criação de meios que visem à mitigação desses fatores potencializadores.

É de crucial importância, nesse sentido, analisar a teoria da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual diz respeito à naturalização de problemáticas e sua consequente naturalização. Desse modo, o cenário da naturalização da mentalidade capitalista difundida no Brasil, a qual induz nos indivíduos a ausência de consciência ambiental, visto que é propagado, por exemplo, o desmatamento desenfreado em prol da economia, relaciona-se com a ideia de Hannah. Isso é grave justamente porque ocasiona a banalização de uma sociedade inerte frente aos impactos ambientais e que, contrariamente ao necessário, compactua com as práticas desse sistema financeiro. Assim, enquanto essa difusão persistir, a ausência de consciência ambiental continuará existindo.

Outrossim, convém ressaltar o teórico papel das escolas de formar valores para a inserção dos jovens na sociedade. Dessa maneira, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do oprimido”, entendia que as escolas atuais são arcaicas, por predominar métodos que objetivam o ingresso nas faculdades em detrimento do ensino de valores ímpares, como a educação ambiental. Ocorre que essa ausência de valores reverbera-se atualmente ao analisar a realidade ambiental brasileira, em que substancial parcela da comunidade é impossibilitada de engajar na pauta da defesa do meio ambiente, por não ter a consciência ambiental, que deveria ser proporcionada pelas escolas. Com isso, por ser ausente e desinformada acerca dos impactos ambientais, essa parcela social não promove denúncias na redes sociais, por exemplo, que estimularia mais pessoas à engajarem a causa e reduzir os impactos.

Urge, por conseguinte, a atuação das escolas para promover projetos socioeducativos, por intermédio de palestras e debates em horários de aula, os quais seriam mediados por profissionais especializados na área ambiental. Esses profissionais iriam enfatizar a urgência da proteção ambiental, que poderia ser efetivada pela exposição de projeções futuras do meio ambiente, caso não tenha a defesa dele desde cedo. Destarte, isso teria o fito de engajar cada vez mais as pessoas nas causas pró-meio ambiente.