A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 15/08/2021
Com a chegada oficial da colonização portuguesa no Brasil, no século XVI, cultivou-se a ideia de que nossos recursos naturais são infinitos. Passados vários séculos, devido a esse pensamento arcaico, a falta de consciência ambiental ainda é uma questão no país. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade se perpetua em virtude da inoperância estatal e da letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério do Meio Ambiente se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca de maneiras viáveis de como conservar os recursos naturais, seja pelo discurso negacionista do governo de Jair Bolsonaro, o qual afirmou em reunião na ONU que não há nenhuma crise ambiental no Brasil. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal cerceia os futuros cidadãos brasileiros a uma realidade de descaso com a questão da consciência ambiental no Brasil.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante o filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram o desperdício de recursos naturais, o que gerou frutos como a crise de energia no Amapá, que ficou um mês sem energia após o Estado admitir baixo índice nos reservatórios de água das hidrelétricas Xingu. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a preservação do meio ambiente será desprezada e a falta de consciência ambiental e seus efeitos serão perpetuados no Brasil.
Dessarte, fica claro que a gênese desse revés tem suas fundações na inoperância das instâncias públicas aliada à ignorância social. Assim, urge que o Estado mude seu discurso negacionista e, na figura do Ministério do Meio Ambiente, faça campanhas de conscientização acerca de maneiras viáveis de como conservar os recursos naturais, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e, consequentemente, casos como o do Amapá não se repitam. Espera-se, com isso, que o Brasil deixe os hábitos arcaicos no passado e rume ao progresso.