A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 11/09/2021
“Agro é tec, agro é pop, agro é tudo”, será?
Historicamente, o Período Colonial, ocorrido entre 1530 a 1822, foi responsável pela estruturação do sistema econômico de monocultura de exportação, representado principalmente pela cana-de-açúcar. Desse modo, para o crescimento financeiro da corte portuguesa houve a inserção da prática do desmatamento, devido a necessidade de terras para cultivo. Logo, a falta de consciência ambiental em questão no Brasil tornou-se um processo estrutural, ou seja, desde o “achamento” do país a intenção principal era a extração e a obtenção do lucro sem preocupação com o meio ambiente afetado, realidade que também reflete os dias atuais dos governos brasileiros.
A princípio, o filósofo Karl Marx, ao estudar os métodos de dominação do Capitalismo sobre as relações sociais, intitulou o “Fetichismo da Mercadoria”, isto é o processo de percepção das relações humanas a partir da produção, não mais entre indivíduos mas sim como dinheiro e mercadorias. Portanto, essa consequência reflete a falta de consciência das relações humanas perante a natureza, pois a necessidade cada vez maior da obtenção do lucro torna as relações doentias, em que toda percepção é pautada na melhoria financeira, o mercado torna-se ativo, dominante e auto-regulador transformando cada fauna e flora destruídos em potencial mercadológico.
Nesse sentido, o filósofo Friedrich Nietzsche, ao analisar que diversos problemas da sociedade são causadas por hábitos e morais pré estabelecidas, criou o termo “Teoria do Martelo”. Essa expressão busca explicar que para alcançar a liberdade e o bem-estar torna-se necessário destruir ideais -instituídos socialmente- e construir novos, sem interferência externa -história, religião, costumes. Por conseguinte, a única forma de mudar os modos de utilização do meio ambiente inicia-se com a quebra de estruturas sociais, como a destruição do meio ambiente como método lucrativo.
Afinal, é imperioso para acabar com a falta de consciência ambiental em questão no Brasil que o Ministério da Educação promova nas escolas públicas a apresentação de palestras para tornar evidente a realidade do país. Para isso, é fundamental a presença dos professores de filosofia e atualidades da própria escola e também de recém-formados em ciências sociais das Universidades Públicas de cada região, para ensinar aos alunos não apenas a história mas como a partir dela foi moldada a relação das grandes empresas com a natureza. Somente assim, a partir do esclarecimento dos jovens ocorrerá a quebra do ideal positivo, estabelecido pela corte portuguesa, sobre o extrativismo que transforma as relações sociais em produto. Finalmente, tornará óbvio que o agronegócio não é “tudo” e nem torna a qualidade de vida do brasileiro mais “tecnológica” e “pop”.