A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 14/09/2021

O filósofo moderno Hans Jonas afirma, em seu livro “O Princípio Responsabilidade”, a inviabilidade do desenvolvimento do presente quando ocorre em detrimento do futuro. Sob essa perspectiva,   evidencia-se a necessidade de um planejamento consciente no tangente ao manejo dos recursos naturais disponíveis, a fim de impedir o comprometimento da futura disponibilidade deles. Observa-se, entretanto, a escassez de consciência ambiental vigente no Brasil, situação agravada pela ineficácia das ações estatais e perpetuada pela negligência escolar, de modo a prejudicar o futuro da nação e das próximas gerações. Urge, assim, a análise da conjuntura.

É tácito, diante desse cenário, inferir a responsabilidade estatal na resolução da questão, dada sua influência e recursos. Nesse sentido, conforme o ideário do filósofo John Locke, é dever do Estado zelar pelos interesses de seus cidadãos, os quais compactuam com ele visando à manutenção de seus direitos. No entanto, a realidade brasileira diverge do proposto por Locke, haja vista a insuficiência das medidas estatais relativas ao desenvolvimento sustentável das cidades, essencial para garantir uma boa qualidade de vida nos centros urbanos. Consequentemente, ocorre a denominada “macrocefalia urbana” — rápido crescimento populacional em uma localidade mediante à ausência de planejamento urbano —, o que causa a destruição massiva de áreas verdes e o aumento da temperatura média do espaço. Dessa forma, é notável a carência de consciência ambiental nas intervenções do Estado.

Outrossim, cabe pontuar a relevância da inércia das escolas como um fator contribuinte para a problemática. Sob esse ângulo, o escritor Gilberto Freyre constatou: “Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades”. Nessa lógica, importa que o conteúdo ministrado nas instituições educacionais seja aplicável ao contexto hodierno, possibilitando aos discentes a capacidade de mudar a configuração dos problemas existentes. Sob esse ângulo, pode-se afirmar o caráter “fútil” do conhecimento presente nos colégios brasileiros, em virtude de não ser correspondente aos desafios enfrentados, pelos discentes, no país, como a luta pela preservação do meio ambiente. Dessa maneira, tem-se níveis insatisfatórios de participação popular nas pautas ambientais.

Depreende-se, portanto, a importância de medidas mitigantes para o óbice. Logo, o Ministério da Educação deve promover a consciência ambiental, por meio de palestras, nas escolas, acerca do tema, incentivando o plantio de árvores nas comunidades e o consumo consciente, no intuito de educar os cidadãos, desde a juventude, a planejar suas ações tendo em vista a conservação da natureza. Isto feito, o Brasil poderá, num futuro próximo, ser reconhecido por seus esforços na preservação da diversidade ecológica do país.