A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 19/09/2021
O movimento literário arcadista brasileiro apresentou obras com forte valorização e personificação de paisagens naturais. Em contraste com o arcadismo, a sociedade brasileira hodierna expressa um descaso com a situação ambiental, negligência notada a partir da pouca consciência de preservação ambiental no país. Assim, percebe-se que tal falta de valorização se constrói a partir da evolução histórica dos usos da natureza e a mentalidade subsequente a tais utilizações.
Vale pontuar, de início, que a industrialização é um ponto crucial para a necessidade de consciência para com a natureza, uma vez que representa o seu uso mais expressivo pelo homem. Sendo assim, durante o surgimento das civilizações, anteriormente às fábricas, o uso de recursos naturais era comedido, e a consciência dessa prática apontava o meio ambiente como um auxílio e oportunidade para a sobrevivência e prosperidade. No entanto, mais adiante na linha histórica, durante a Revolução Industrial, no século XVII, a relação entre o homem e seu meio se alterou, tornando a natureza subordinada ao poder antrópico. Assim, como consequência de tal ideia de servidão, nota-se o fortalecimento dos processos de degradação ambiental, fator que, por sua vez, danificou diversos ecossistemas, de modo que criou, nos séculos subsequentes, a necessidade de controlar tais danos.
Além disso, ressalta-se que a mentalidade formada a partir das diversas revoluções industriais, caracterizada por grande exploração da natureza, distanciou o homem (como ser biológico) do meio natural em que se insere. A partir disso, com o agravamento de problemas como o aquecimento global e extinção de espécies, vê-se o surgimento de órgãos como o Greenpeace, que visa reverter e amenizar os problemas causados pela degradação exagerada da natureza. Sob essa ótica, a separação humana do ambiente natural é evidenciada pela data da fundação do órgão anteriormente citado, sendo criada em 1971. Desse modo, apresenta-se o atraso da educação ambiental no Brasil, uma vez que se fortalecem as preocupações ambientais após dois séculos de exploração desenfreada da natureza. Por fim, denota-se a necessidade de avanço nos estudos e na educação ambiental no país.
Portanto, é evidente que a mentalidade industrial massiva, em conjunto com o uso característico desse sistema, representa um perigo para a sustentabilidade na sociedade brasileira, o que há de ser atenuado. Sendo assim, deve o Estado, mediante o Ministério da Educação, ampliar o ensino sustentável no Brasil, por meio da implantação de educação ambiental como matéria obrigatória no currículo disciplinar, a fim de reduzir os impactos da exploração natural e incentivar estudos na área de desenvolvimento com sustentabilidade. Destarte, os ideais de valorização da natureza semelhantes ao do arcadismo podem ser observados na sociedade brasileira do século XXI.