A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 20/09/2021

Durante o período do Brasil Colônia, iniciado no século XVI, os recursos naturais do país, a exemplo do pau-brasil e, posteriormente, da cana-de-açúcar, eram extraídos e utilizados como matéria-prima de produtos comercializados na Europa. De maneira análoga, essa cultura extrativista que visa o lucro transcende a história e faz-se presente na realidade hodierna, na qual os indivíduos agredidem e desgastam a natureza para beneficiar-se economicamente, o que é evidente nas crescentes ocorrências de desmatamento e crimes ambientais. Desse modo, é necessário discutir acerca das raízes históricas e da carente fiscalização estatal, principais fomentadores da problemática.

A princípio, é válido salientar o arraigado desinteresse dos cidadãos em preservar o meio ambiente. Nesse contexto, Michel Serres, filósofo francês, discute que os problemas ambientais são resultado do desejo de poder e da necessidade de suprir os interesses da sociedade. Sob essa perpectiva, essa egoísta consciência- resultante, ainda, do sistema capitalista vigente- é evidenciada em ações do cotidiano, como o descarte inadequado do lixo, o desgaste do solo por meio da agricultura, a emissão de combustíveis fosséis, catalizadores do efeito estufa, além do comércio ilegal de animais silvestres. Assim, é fulcral a desconstrução desse pensamento coletivo a fim de manter a integridade da natureza.

Ademais, é relevante abordar a inércia da esfera pública em garantir a efetividade das leis de proteção ambiental. Nesse diapasão, a Constituição de 1988, em seu artigo n°225, prevê a responsabilidade do Estado em defender e preservar o meio ambiente. Entretanto, essa legislação não é efetiva na prática, haja vista a falta de fiscalização de reservas que possuem sua biodiversidade em risco de extinção, bem como a impunidade de garimpeiros praticantes de derrubadas florestais e extração ilegal de minerais, incitando, pois, a continuidade dos ataques a esses espaços essenciais ao equlíbrio ecológico. Dessa maneira, a intervenção governamental é imprescindível ao combate dessas infrações.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar o óbice supracitado. Nesse viés, a União, juntamente ao Conselho Nacional do Meio Ambiente(CONAMA), deve aumentar a incidência de fiscalizações em regiões fronteiriças e em grandes fazendas, por meio do fornecimento de verbas públicas, as quais serão utilizadas para a contratação de biólogos e policiais responsáveis por visitar esses espaços e garantir a legalidade ambiental de suas atividades, com o fito de reduzir os índices de crimes ambientais presentes no território brasileiro e preservar a fauna e flora do país. Logo, com a adoção de tais ações, o ataque à natureza ficará restrito ao passado colonial.