A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 23/09/2021

Na obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig em 1941, Brasil é sinônimo de progresso e planejamento eficiente, o que projeta uma visão de futuro promissor. Entretanto, há uma significativa discrepância entre a expectativa e a realidade quando se tem em vista a falta de consciência ambiental no país, impasse alarmante para o desenvolvimento de uma sociedade justa. Em vista disso, é preciso formular estratégias para alterar essa situação, cujas causas são econômicas e legislativas.

Dessa forma, em primeira análise, cabe apontar a priorização de interesses financeiros como agravadora do impasse. Em resumo, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Isso implica dizer que, no contexto capitalista, as ações dos indivíduos são orientadas pelo lucro em detrimento do bem-estar da maior parte da população. Nesse sentido, nota-se, como exemplo, que indústrias, ao poluírem rios e solos com resíduos da produção visando retorno financeiro, expõem a lamentável falta de consciência ambiental que permeia o cenário atual. Assim, essa lógica econômica compromete seriamente o meio ambiente.

Ademais, percebe-se que a insuficiência legislativa contribui para a irresolução do problema no Brasil. A Constituição federal de 1988 é a lei básica que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. Entretanto, o que se verifica é a insuficiência dessa legislação no que se refere à questão ambiental no Brasil, pois, embora esteja imposto ao poder público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente, grileiros e posseiros frequentemente não são punidos por promoverem a queimada de extensas áreas, a qual acarreta em consequências negativas à natureza e à população. Consequentemente, esse enfraquecimento da lei desestimula o desenvolvimento da consciência ambiental na sociedade brasileira.

Portanto, é imprescindível combater esses obstáculos. Para isso, cabe a representantes políticos da esfera municipal e líderes de bairro, por meio da mobilização da população em prol da elaboração de cartas de denúncia e abaixo-assinados exigindo a real aplicação da legislação brasileira, promover o envio desses documentos ao site da Ouvidoria da Controladoria-Geral da União, a fim de expor e erradicar os casos de sobreposição dos interesses financeiros aos ambientais. Dessa maneira, será possível aproximar a realidade brasileira à expectativa de Stefan Zweig.