A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 12/10/2021

A vigente Carta Magna do Brasil assegura que é direito de todo cidadão ter o meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. No entanto, a realidade destoa da constituição, haja vista o número crescente de queimadas e desmatamento no Brasil. Isso ocorre, seja pelo atual modelo de organização social que prioriza os interesses atrelados ao capital em detrimento de questões ambientais, seja pelo descaso governamental perante os assuntos relacionados à consciência socioambiental. Dessa maneira, é imperioso que a chaga contemporânea seja resolvida, a fim de que a Lei Maior se torne eficaz.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente a supervalorização do lucro em desfavor da natureza, é válido ressaltar que a condição humana é construída e modificada incessantemente com o surgimento do modo de produção capitalista. Nessa lógica, Friedrich Engels afirma que, com o surgimento da burguesia, criou-se um novo modo de se pensar, o qual constitui-se em explorar o máximo possível da natureza, degradando-a, preocupando-se somente com o ganho que aquela atividade lhe geraria. A perspectiva do filósofo alemão é reafirmada ao analisar o hodierno cenário brasileiro, que se dá por indivíduos e empresas que incendeiam e desmatam florestas com o intuito de inserir algo que os de lucro. Dessa forma, torna-se evidente a péssima relação da sociedade com a natureza, como também a falta de consciência da população perante as questões socioambientais.

Paralelamente ao modelo de organização social, é fundamental o debate acerca da omissão estatal, uma vez que ambos aspectos influenciam diretamente o corpo social. Nesse sentido, segundo a Global Forest Watch, o Brasil foi o país que mais destruiu suas florestas em 2019; essa informação revela a ineficácia das esferas de poder em impedir e reverter a celeuma existente perante a natureza. Esse quadro de inoperância governamental exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para a refutação da teoria do estudioso polonês, essa problemática seja revertida.

Em suma, mostra-se necessárias as medidas de combate à falta de consciência ambiental no Brasil. Para isso, compete ao Poder Legislativo criar leis, de acordo com o Estado Democrático de Direito, pautadas no intuito de consolidar programas de desenvolvimento sustentável, como também roborar a fiscalização existente acerca de crimes ambientais, com o fito de, assim, tornar realidade os ideais socioambientais.