A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 13/10/2021

No filme “O Céu da Meia Noite”, a humanidade se encontra em um futuro distópico onde o ecossistema terrestre foi deteriorado após séculos de depravação antropomórfica, obrigando quase toda a população a migrar do planeta. Saindo da ficção, a realidade brasileira demonstra similaridades com relação ao vetusto descaso com o meio ambiente, especialmente ao considerar os impactos do extrativismo vigente. Dessa forma, as implicações causadas tanto pela exploração desmedida dos recursos naturais quanto pelo consumismo sistemático da modernidade derivam da falta de consciência ambiental generalizada da nação.

A princípio, a natureza sempre foi vista como um meio desconexo da sociedade, na qual não haveriam limites para seu uso. À guisa do filósofo estadunidense David Drew, a subsistência humana historicamente dependeu das intensas tentativas de dominação e controle dos fenômenos naturais, contudo, as consequências trazidas, principalmente após a Revolução Industrial, impactaram massivamente em seu tratamento. Nesse sentido, apesar do surgimento de novas medidas sustentáveis como a reciclagem, as necessidades ecológicas do ambiente foram menosprezadas em pról das necessidades de produção econômica, como é visto nas queimadas do Brasil. Assim, a relação amistosa entre homem e natureza é frequentemente sobreposta pelos interesses corporativos.

Ademais, o estabelecimento de um mercado globalizado influencia diretamente nessas demandas industriais, criando um padrão de consumo preocupante. Segundo o Panorama de Resíduos Sólidos do Brasil, foram produzidos 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos somente em 2018, sendo 51% apenas lixo orgânico (alimento) desperdiçado no âmito urbano. Nessa perspectiva, a tendência consumista propagada pelas mídias na hodiernidade corrobora não apenas para ampliar o desperdício material mas, também, para justificar e fortalecer os processos de extração em andamento. Desse modo, os alicerces comportamentais obsessivos exigidos pelo sistema capitalista atual exibem uma desvinculação quase completa da fonte de insumos biodiversos.

Portanto, ao ponderar sobre os aspectos envolvidos na conscientização ambiental, torna-se mandatório uma resolução. Nesse quesito, é de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente atuar, em conjunto ao financiamento de ONGs e institutos educativos, na educação coordenativa da população jovem e adulta através de propagandas informativas, mesclados a jogos didáticos sobre o tema da preservação ambiental. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça financiar e incentivar os órgãos de fiscalização no combate contra a desregulamentação ecossistêmica das multinacionais. Com isso, a fauna e flora nacionais prevalecerão junto ao povo futuramente informado.