A falta de consciência ambiental em questão no Brasil
Enviada em 14/10/2021
Sabe-se que, desde o início, a atividade agropecuária desempenha um papel fundamental na economia brasileira. Nos dias de hoje, segundo o IBGE, só na região Sul do Brasil, 74% do território está destinado à atividades de cunho agropecuário, contra 5% destinado à preservação ambiental. Relação territorial esta que coloca em xeque qualquer resquício de consciência ambiental na distribuição do território nacional. Nesse sentido, temos a própria elite pecuária interessada na falta de conscientização acerca da problemática ambiental.
O território brasileiro obedece, desde sempre, uma elite agrária dependente, que postula-se acima do meio-ambiente. Como desenvolve Ruy Mauro Marini em “Subdesenvolvimento e Revolução”, o Brasil, no nascimento de uma indústria nacional, foi alvo da burguesia das economias centrais que, mantendo a produção para benefício próprio, implantou no território a indústria de base pautada na exportação de grãos e carnes. Isto levou a elite nacional a promover o uso da terra na sua forma produtiva e colocando, por meio da mídia, o agro como indispensável e prioritário.
Torna-se indiscutível o papel da mídia na não conscientização da questão ambiental brasileira. A campanha “Agro é pop”, idealizada pelo diretor de marketing da TV Globo Roberto Schmidt, tem como objetivo, segundo o próprio, de aproximar a população do processo produtivo e da importância do agronegócio para o país. No entanto, a propaganda, em momento algum, elenca, por exemplo, o crescimento em 51% do desmatamento na Amazônia, segundo o Imazon, em território para o agro.
Portanto, fica claro que a problemática da conscientização ambiental no Brasil, nasce de uma estrutura industrial hegemônica, que é a elite agrária. Assim sendo, inicia-se o processo de conscientização a partir da própria dissolução dessa estrutura, com a reforma agrária, na ação do poder executivo em conjunto do Ministério da Agricultura. Outrossim, a regulamentação da mídia quanto a transparência também deve ser pauta do Ministério Público Federal, trazendo a propagação de todas as facetas do agronegócio.