A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 19/10/2021

No livro ‘’Não verás país nenhum’’, de Ignácio de Loyola Brandão, retrata-se um futuro distópico marcado pelos desdobramentos da destruição ambiental no Brasil. Nesse sentido, percebe-se que a sociedade atual caminha ao encontro da realidade narrada por Loyola Brandão, uma vez que se faz carente o ideal de consciência ambiental no solo brasileiro. Tal quadro, resulta-se da negligência governamental para com as questões ambientais e do consumo em massa da população. Em síntese, é imprescindível a difusão do ideal de preservação ecológica para mitigar a destruição da natureza.

Diante desse cenário, vale ressaltar que os órgãos governamentais apresentam políticas pouco coesas e coercitivas para com o avanço do desmatamento nas florestas nacionais. No tocante a esse aspecto, o Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 prevê que o estado e a coletividade são responsáveis pela defesa e proteção do meio ambiente para as gerações atuais e posteriores. No entanto, verifica-se que as ações governamentais não dialogam com o texto constitucional, pois grandes desastres são ignorados pelo corpo federal, como as queimadas na Amazônia e no Pantanal. Por consequência, ao desqualificar e negar a crise ecológica nacional, tem-se um quadro de impacto na manutenção da dinâmica climática e hídrica no país, já que tais biomas são imprescindíveis para a estabilidade ecológica.

Além da política antiambiental do governo, o consumo em massa também age na perpetuação da falta de consciência no que tange a preservação ecológica. Quanto a tal fato, Jean Baudrillard, filósofo francês, afirma que na ‘’sociedade de consumo’’ as relações humanas são regidas pela aquisição massiva de bens , produtos e serviços. Sob a perspectiva baudrillardiana, percebe-se que a prática consumista visa a estabelecer um poder materialista no corpo social, entretanto, tal ação não é acompanhada do ideal sustentável. Consequentemente, danos ambientais são sentidos, como acúmulo de lixo, aumento da emissão de CO2, poluição generalizada e destruição dos ecossistemas. Assim sendo, entende-se que a ‘’sociedade do consumo’’ caminha ao encontro de  ‘’Não verás país nenhum’’.

Fica claro, portanto, que a consciência ambiental é uma atitude ética que deve ser construída em conjunto, isto é, parceria entre o governo e sociedade. Nesse viés, com o fito de se consolidar um Brasil que tenha como missão preservar e defender o meio ambiente, as ONGs de Educação Ambiental devem atuar no cenário atual. Dessa maneira, tal órgão deve identificar, apoiar e preparar a candidatura de líderes ligados ao discurso ambientalista, por meio de cursos especializados, especialmente na gestão pública e ecológica. Com isso, a população brasileira será dotada de ética ambiental construindo, assim, um país sustentável em oposição ao apresentado por Ignácio de Loyola.