A falta de consciência ambiental em questão no Brasil

Enviada em 23/10/2021

De acordo com a mitologia grega, o Rei da ilha de Creta requisitou a construção de um labirinto debaixo do palácio Knossos para isolar e esconder uma criatura problemática para todos os cidadãos cretenses: o Minotauro. Fora do cenário mitológico, as sociedades atuais também carregam consigo Minotauros contemporâneos, isto é, diversos problemas que não são suficientemente debatidos e enfrentados, a exemplo da falta de conscientização ambiental dos brasileiros. Diante disso, torna-se imprescindível analisar criticamente a omissão estatal e a negligência midiática como fatores que obstaculizam a sensibilização sociocultural em relação ao meio ambiente para, posteriormente, combatê-los.

Em primeira análise, cumpre destacar que o sociólogo Émile Durkheim conceitua anomia estatal como um cenário caótico em que o Estado não cumpre efetivamente as disposições legais presentes no ordenamento jurídico do país. Nesse Contexto, tal reflexão sociológica é elucidada pela negligência do Poder Executivo brasileiro em efetivar a Lei de Crimes Ambientais uma vez que há falta de fiscalização de tais crimes, o que é demonstrado pela escassez de contratação de fiscais que inspecionem rigorosamente lugares suspeitos. Por conseguinte, a anomalia estatal aumenta a quantidade de crimes ambientais cometidos no país e, assim, prejudica a conscientização ambiental dos cidadãos.

Ademais, é lícito ressaltar a negligência midiática na sensibilização do tecido social contra o descaso com o meio ambiente. Isso ilustra o pensamento de Émile Durkheim, segundo o qual a mídia é uma macroestrutura social responsável por influenciar negativamente as ações dos indivíduos - microestruras sociais. Consequentemente, o descaso dos setores educacionais ratifica a denúncia durkheimiana e prolifera a falta de sensibilização sociocultural dos brasileiros.

Portanto, urgem intervenções para a falta de conciência ambiental no Brasil. Desse modo, o Ministério Público, órgão responsável pela fiscalização da legislação, deve ampliar a contratação de profissionais que fiscalizem os crimes ambientais, por meio de verbas públicas, a fim de garantir a dimunição dessas infrações. Outrossim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão responsável pelo controle da atividade midiática, deve estimular publicidades e campanhas a favor da preservação ambiental, por meio de propagandas obrigatórias em horários nobres que tratem sobre o assunto, a fim de estimular entre os telespectadores ações ecológicas. Destarte, o Minotauro contemporâneo em análise será combatido.